DHAVID NORMANDO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Vinícius Araújo perdeu uma chance incrível de mudar a história da partida
Vinícius Araújo perdeu uma chance incrível de mudar a história da partida

O Cruzeiro jogou mal, com a pretensão de não sofrer gols, e foi penalizado. Apesar de ter uma equipe superior tecnicamente ao Flamengo, a Raposa não equilibrou o ímpeto mostrado pelo clube rubro-negro, e foi derrotada por 1 a 0, na noite desta quarta-feira (28), no Maracanã. Com o resultado, o time estrelado dá adeus ao sonho do pentacampeonato da Copa do Brasil, uma vez que a equipe carioca marcou um gol fora de casa, na derrota por 2 a 1, uma semana atrás, e foi beneficiado pelo regulamento da competição.
 
Os comandados de Marcelo Oliveira terão de se recuperar da dor da eliminação o quanto antes, pois a equipe continua viva na luta pelo título do Campeonato Brasileiro. No próximo domingo (1º), a Raposa, recebe o Vasco, no Mineirão, às 18h30, defendendo sua liderança no torneio. O Flamengo, por sua vez, encara o Corinthians, no Pacaembu, no mesmo dia, porém às 16 horas. Mas as atenções rubro-negras estarão voltadas para as quartas de final da Copa do Brasil, onde enfrentará o arquirrival Botafogo, na esperança de conquistar o tricampeonato da competição.
 
Intenso
 
Torcida em peso, placar apertado e duas equipes de tradição. Eram os típicos ingredientes que apontavam que o duelo entre Flamengo e Cruzeiro, nesta quarta-feira, não seria um jogo comum. E não foi mesmo. O time rubro-negro deixou de lado a postura tática equilibrada e passou a ter a emoção como sua maior virtude, o que diminuiu sua distância técnica para a Raposa, que tem visivelmente uma equipe mais forte. O resultado foi um primeiro tempo movimentado do início ao fim.
 
Como o time estrelado tinha a vantagem no placar, o Flamengo partiu para cima tão logo a bola foi movimentada. Logo aos 20 segundos, já alçava bola na área celeste levando um ligeiro perigo. Atrás, o Cruzeiro tentava diminuir o ímpeto time carioca com uma distribuição mais ampla de seus jogadores pelo gramado.
 
O problema é que o empenho maior do time da Gávea eliminava uma das grandes características deste Cruzeiro, que são as descidas em velocidade ou em profundidade. Não havia bola perdida para aqueles que vestiam a camisa rubro-negra, que sempre chegavam junto para acabar com a jogada.
 
Quando chegava, principalmente pelo alto, o Cruzeiro levava perigo. Tanto que a melhor chance de tirar o zero do placar foi sua. Aos 33 minutos, um tiro esquinado foi cobrado pela direita. Dedé subiu mais que todo mundo, cabeceando para baixo. João Paulo, de forma milagrosa, cortou a bola que tinha endereço certo. 
 
Os 45 minutos iniciais mostraram um Flamengo com maior entrega e o Cruzeiro mais aplicado defensivamente. Foi um primeiro tempo aberto, com promessa de grandes emoções no período seguinte. Restava saber se os cariocas iriam ter vigor físico para continuarem exercendo essa pressão ou a Raposa iria encaixar os contra-golpes que se propunha.
 
Trágico
 
O Cruzeiro voltou irreconhecível para a etapa complementar. O time tinha como proposta as saídas rápidas em contra-golpe, mas pecava na armação das jogadas. Tanto que não chutou a gol até os 25 minutos. Defensivamente, passou a ser tímido, demorando para dar o bote e deixando espaços para o adversário. O Flamengo, que mantinha a mesma vontade do primeiro tempo, cresceu, e dominou a partida. 
 
Conforme o relógio passava, o sufoco ia aumentando. O time rubro-negro chegou, inclusive, a balançar a rede, mas para a felicidade da torcida estrelada, o árbitro anulou o tento, alegando falta de Marcelo Moreno em Fábio. 
 
A Raposa só reagiu com a entrada de Martinuccio e Vinícius Araújo, uma vez que Everton Ribeiro e Borges se arrastavam em campo. Com a entrada dos dois, os contra-golpes, enfim, funcionaram. O argentino deu uma boa movimentação ao setor ofensivo e criou três boas oportunidades, porém o jovem talento da base perdeu boas chances de abrir o placar. Em uma delas, o camisa 30 chegou a driblar Felipe, mas perdeu o tempo de bola.
 

Para Bruno Rodrigo, faltou maior qualidade na parte ofensiva

Cruzeiro jogou muito acuado (Foto: LUCIANO BELFORD/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

 
Quando teve a chance de marcar, o Cruzeiro não o fez. E foi penalizado. Aos 43 minutos, Paulinho escapou pela direita sem objeção. Ao chegar na entrada da área, cruzou para trás, onde achou Elias livre. De primeira, o volante mandou colocado no canto de Fábio e marcou o gol que dava a vitória para o time rubro-negro.
 
O gol anotado por Carlos Eduardo, já no final do embate de ida da Copa do Brasil, fez a diferença. Naquela partida, a Raposa tinha a chance de liquidar a fatura, mas vacilou quando dominava a partida e deixou que o rubro-negro trouxesse para o Maracanã um resquício de esperança. Esperança essa que foi decisiva nesta quarta. Enquanto o Cruzeiro ficou acuado atrás e não conseguiu imprimir seu bom futebol apresentado nos últimos jogos, o Flamengo foi valente, jogou melhor, mesmo tendo uma equipe inferior à celeste. Por sua maior entrega durante os 90 minutos, a classificação para pegar o Botafogo não chega a ser uma injustiça. 
 
FICHA TÉCNICA
 
FLAMENGO 1 X 0 CRUZEIRO
 
FLAMENGO: Felipe, Luiz Antônio, Chicão, Wallace, João Paulo; Víctor Cáceres (Paulinho), Elias, Rafinha, Carlos Eduardo (Adryan) e André Santos (Hernane); Marcelo Moreno. Técnico: Mano Menezes
 
CRUZEIRO: Fábio, Ceará, Dedé, Bruno Rodrigo, Egídio; Lucas Silva, Nilton, Ricardo Goulart, Everton Ribeiro (Martinuccio); Willian (Leandro Guerreiro) e Borges (Vinícius Araújo). Técnico: Marcelo Oliveira
 
Gol: Elias (aos 43' do 2º tempo) 
Motivo: Jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil
Data: 28 de agosto de 2013
Local: Maracanã
Cidade: Rio de Janeiro
Árbitro: Jailson Macedo Freitas (BA)
Assistentes: Carlos Berkenbrock (SC) e Marcelo Bertanha Barison (RS)
Público: 47.103 pagantes
Renda: R$ 2.266.070
Cartões amarelos: Nilton, Willian e Everton Ribeiro (Cruzeiro); Elias e André Santos (Flamengo)