Agência Estado
clássico flamengo e fluminense
Lance de bola durante partida válida pelo Campeonato Carioca, no estádio do Maracanã, em 1983

Tricolor visceral, o dramaturgo Nelson Rodrigues dizia que o Fla-Flu surgiu 40 minutos antes do nada. Entende-se a força de expressão. Mas, na realidade, um dos clássicos mais charmosos do futebol brasileiro nasceu quando nove titulares do Fluminense se desentenderam com a diretoria e propuseram ao Flamengo, um clube de regatas, a criação de um departamento de futebol. Em 7 de julho de 1912 se realizou o primeiro confronto entre os rivais, nas Laranjeiras. A vitória do Fluminense por 3 a 2 - Edward Calvert marcou o primeiro gol - dava início à ferrenha rivalidade, que agora completa 100 anos.

No aniversário do centenário do clássico, Flamengo e Fluminense se enfrentam neste domingo, a partir das 16 horas, pela oitava rodada do Brasileirão, para reforçar os laços históricos que os unem e o antagonismo que alimenta as paixões de lado a lado. A lamentar apenas o local do jogo. O Fla-Flu está privado do palco que o eternizou: o Maracanã.

Com a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014, o Fla-Flu centenário vai ser disputado no Engenhão, limitando a presença de público a menos de 40 mil pessoas. É pouco para um duelo que já levou quase 200 mil pessoas ao estádio.

O confronto deste domingo vai ser o de número 381 entre os rivais. O Flamengo comemorou 137 vitórias, contra 119 do Fluminense - são 134 empates. A estatística não contabiliza jogos do Torneio Início, competição peculiar disputada entre 1918 e 1965. A maioria dos jogos foi válida pelo Campeonato Carioca, vencido 32 vezes pelos flamenguistas e 31 pelos tricolores.

O século da rivalidade vai ser comemorado com uma preliminar com ex-jogadores e artistas, a partir das 14h20. O sambista flamenguista Dudu Nobre interpreta o hino de seu clube. E o roqueiro tricolor Toni Platão canta o das Laranjeiras, ambos com o acompanhamento de 100 músicos da banda marcial dos Fuzileiros Navais. O jogo vai ser filmado para um documentário a ser lançado ainda este ano.

Tantos festejos só fizeram aumentar a ansiedade - habitualmente elevada antes de um Fla-Flu - de técnicos e jogadores. Como se não bastasse o que está em jogo de ambos os lados. O Fluminense entra em campo com a possibilidade de assumir a liderança do Brasileirão. Uma vitória o leva ao topo em caso de tropeços de Vasco e de Atlético-MG. O Flamengo pode igualar a pontuação dos adversários e joga com Joel Santana com a corda no pescoço. Um triunfo mantém o técnico, que se equilibra rodada após rodada no comando flamenguista.

Motivos não faltam para um jogo tenso, vibrante e inesquecível. "O Fla-Flu é diferenciado. Podem existir outros clássicos mais importantes no Brasil, mas nenhum tem o glamour do Fla-Flu", diz o técnico do Fluminense, Abel Braga. "Ainda mais no centenário. Foi feito um trabalho muito legal em cima dessa partida e vai ser um jogo diferente. Uma vitória terá um gostinho especial", completou.

Sentindo o calor da fritura a que é submetido na Gávea, Joel Santana denunciou nervosismo durante toda a semana e não abordou a data comemorativa do Fla-Flu. Está mais preocupado em manter o emprego do que em fazer festa. Para isso, porém, depende muito do resultado do clássico.