Alexander Khudoteply/AFP
Shakhtar

A crise política na Ucrânia já assusta a legião de jogadores brasileiros que atua no país. A embaixada do Brasil, inclusive, com o apoio dos clubes, traçou uma “rota de fuga” para os atletas, caso os conflitos armados se intensifiquem. Mais de 80 pessoas morreram somente no mês passado, durante a violenta onda de protestos.

“Um plano de evacuação foi criado pela embaixada do Brasil e enviado às equipes. Há um avião preparado e bilhetes de saída da Ucrânia emitidos”, revela Paulo Morais Mônica, de 24 anos. O angolano, que disputa a Liga Ucraniana de futsal, é muito amigo de Douglas Costa, Bernard, Taison, Fernando e Alex Teixeira.

Ao se apresentar à Seleção, em Johannesburgo, na África do Sul, Bernard se mostrou preocupado com esse cenário. O camisa 10 do Shakhtar Donetsk integra o elenco do técnico Luiz Felipe Scolari que disputará amanhã, às 14h (de Brasília), o amistoso contra os sul-africanos, no Soccer City.

“É complicado. A violência até agora estava longe, mas os manifestantes partiram para Donetsk. Tomamos as providências necessárias. Temos passagem para deixar o país se for preciso e deixamos o nosso nome na embaixada. Tudo para o caso de um voo urgente”, confirma o mineiro.

Clima tenso

Bernard se refere ao fato de manifestantes que defendem a continuidade das estreitas relações com a Rússia terem ocupado o primeiro andar de um prédio do governo regional em Donetsk.

Como o local conta com uma das populações de russos étnicos mais elevadas da Ucrânia, a tendência é que a cidade se torne reduto de tal causa.

Os ucranianos se dividiram entre os que querem uma associação política com a União Europeia (UE) e os que priorizam a proximidade com a Rússia. “Não sabemos o que esperar”, garante Bernard, que vive em Donetsk com o pai, Délio Duarte, e um primo.

O atacante Guilherme, do Atlético, que jogou no Dínamo Kiev, disse na segunda (3) que recebeu informações de que o único brasileiro do seu antigo clube, o lateral Danilo Silva, está hospedado no CT e que sua família voltou para o Brasil. “Acho que está morrendo de medo e não queria estar na situação dele. Inclusive tem funcionários (do clube) que estão no protesto”, revela o jogador do Galo.

Os ucranianos não poupam euros para levar brasileiros. Os cinco grandes clubes do país possuem 24 atletas canarinhos.

*Colaborou Rodrigo Rodrigues

Paulo Morais Mônica - jogador angolano que mora em Donetsk

 

paulo mônica

Alex Teixeira e Paulo Barros em Donetsk (Arquivo Pessoal)

 

Como está a população em Donetsk?

Todos temem uma ação militar da Rússia na Ucrânia. Por isso, os cidadãos já estão em clima de guerra. Pouca gente está trabalhando e as pessoas andam tirando o dinheiro dos bancos. Os russos disseram que se os ucranianos não retirarem as tropas da Crimeia (república autônoma do país, favorável à Rússia), vão invadir o país. Isso me deu medo.

Os jogadores brasileiros parecem muito preocupados?
Sim, estão todos preocupados. Um plano de evacuação foi criado pela embaixada do Brasil e enviado aos clubes. Há um avião preparado e bilhetes de saída da Ucrânia emitidos. O campeonato local parou e todos estão à espera das últimas novidades.

Quais são seus melhores amigos brasileiros em Donetsk?
Estou na Ucrânia há três anos. Por isso, tenho muita amizade com Douglas Costa, Taison, Fernando, Alex Teixeira, e agora o Bernard.