Flávio Tavares/Hoje em Dia
Falta de pagamento pode forçar greve no setor de limpeza urbana em BH
Serviço de limpeza em Belo Horizonte pode até ser paralisado se uma solução imediata não for dada

Todo o serviço de limpeza de Belo Horizonte pode parar nos próximos dias. A possibilidade de uma greve geral dos trabalhadores das empresas terceirizadas é considerada pelos próprios patrões. Os empresários alegam que a prefeitura não realizou o pagamento do serviço, que possibilitaria às empreiteiras deixar o salários dos funcionários em dia. O sindicato da categoria confirma que, caso não haja pagamento nesta sexta-feira (6), os trabalhadores podem parar.

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“A prefeitura não nos pagou no dia 26 de agosto. Nós deveríamos receber nesta data para poder pagar os funcionários no quinto dia útil. Não temos dinheiro para pagar”, afirma um representante das empresas que pediu para não ser identificado.

O pagamento às empresas no mês passado possibilitaria a confecção da folha de pagamento antecipadamente.

Sem caixa

Atualmente sete empresas são responsáveis pela coleta de lixo, varrição, capina e limpeza de boca de lobo. As firmas argumentam que estão sem caixa, por que a carga de serviço aumentou. Com isso, têm que pagar mais hora-extras e não possuem capital de giro.

O assessor do Sindeac, sindicato que representa os trabalhadores da categoria, Marcos Áureo, estranhou o fato de as empresas reclamarem da falta de recurso. “Não temos informação nenhuma sobre o não pagamento. Normalmente, somos avisados pelos trabalhadores. Independente da prefeitura ter pago ou não, a obrigação das empresas é pagar em dia”, afirma.

O representante explica que a posição do sindicato é a de aplicar multa prevista na convenção coletiva dos trabalhadores. Mas não descarta uma paralisação.

“A greve é o último recurso. O trabalhador não gosta, mas faz quando não tem opção”, diz.

Sem expectativa

Até quinta-feira (5), não havia nenhum pagamento programado para as sete empresas no sistema da PBH. Além disso, há três dias o sistema de emissão de nota fiscal eletrônica da administração municipal está fora do ar. Por este sistema as empresas faturam os serviços prestados e recebem da prefeitura.

No início do mês passado, garis da empresa Arclan – responsável pela coleta de lixo domiciliar nas regiões da Pampulha, Norte e Venda Nova, cruzaram os braços por falta de pagamento de salários e benefícios por parte da empresa. Na época, a Arclan informou que a paralisação ocorreu por questões internas da empresa.

Na ocasião, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) desencadeou operação de emergência para garantir a manutenção dos serviços.
 
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