Flávio Tavares
Mercado Central
O Mercado Central recebe um público de 1,4 milhão de pessoas por mês

Próximo de completar 83 anos, o Mercado Central é o espaço comercial com o metro quadrado mais caro de Belo Horizonte. O preço de venda do metro – com valor mínimo de R$ 50 mil, segundo os próprios comerciantes – supera o de regiões nobres como Sul, Centro-Sul e Oeste. Localização, tradição e retorno financeiro são os pilares da sobrevalorização do Mercado, por onde passaram cerca de 1,4 milhão de consumidores por mês.

No bairro Lourdes, que historicamente ostenta o título de espaço mais caro de BH, os imóveis comerciais com acabamento de alto luxo custam entre R$ 9 mil e R$ 10 mil por metro quadrado.

A cotação do espaço no Mercado também é metade do cobrado pelas lojas localizadas na 5ª Avenida, em Nova York, uma das áreas mais valorizadas do mundo.

O metro quadrado na 5ª Avenida, hoje, está avaliado, para venda, entre US$ 55 mil (R$112,2 mil) e US$ 180 mil (R$ 367,2 mil), segundo a imobiliária norte-americana Century 21, com filial no Brasil.

Compra interna

Mesmo com a supervalorização, não faltam compradores. Segundo o presidente do Mercado Central, Mácoud Patrocínio, dificilmente um proprietário se desfaz de seu espaço.

"Quando isso acontece, os lojistas têm prioridade na negociação", disse Patrocínio, afirmando que a administração do Mercado não interfere no valor, prevalecendo a lei de oferta e demanda.

Locação

Para locação, também prevalece a valorização do espaço, com uma cotação até oito vezes superior à média apurada na região Centro-Sul.

De acordo com a administração do Mercado, o metro quadrado para aluguel varia, na média, entre R$ 90 e R$ 200, bem mais do que a média de R$ 37,85 cobrada para lojas de frente - com vitrine virada para a rua - na região Centro-Sul de BH, segundo levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). Em um estabelecimento que não tem visibilidade externa, o metro quadrado está avaliado em R$ 24,83 - valor que serve de base de comparação com os lojistas do Mercado.

Lojas negociadas a "preço de Fusca"

Há 42 anos no Mercado Central, o comerciante Aristeu Mozzer aproveitou os preços ainda "razoáveis" da década de 70 para se tornar proprietário de uma loja de 15 metros quadrados, onde até hoje comercializa produtos como queijos, requeijões e doces.

"Com a mudança de moedas, é difícil saber por quanto comprei a minha loja. Brinco que, na época, equivalia ao preço de um Fusca", lembra Mozzer.

Aristeu é um dos cerca de 400 comerciantes que batem ponto diariamente no famoso Mercado Central. "Foi com esse trabalho que formei três filhos em medicina", relembra Mozzer, que garante não abrir mão do espaço.

Mas nem todos tiveram a sorte de comprar alguns metros no grande mercado nas primeiras décadas de funcionamento.

Muitos que trabalham no local há anos permanecem alugando as lojas, como o comerciante Roberto Moreira, que há 15 anos abriu uma venda de queijos e doces.

"Hoje é impossível comprar uma loja aqui. Além de ser muito caro, existem alguns comerciantes que cobrem todas as ofertas", lamenta Moreira que, em um espaço de 15m², desembolsa R$ 5mil por mês só para ocupar o espaço.

Aniversário no dia 7 de setembro

Na próxima sexta-feira, o Mercado Central vai completar 83 anos. Para comemorar, oito bandas vão animar os clientes que, às 10 horas, cantarão os parabéns. O ingresso para a festa deverá ser trocado por 2Kg de alimentos não perecíveis, no espaço cultural do mercado.