Publicidade

  
Reprodução

O assunto na tv é coceira. A apresentadora faz um relato bem pessoal sobre uma coceira insuportável que a atacou certa vez. A mulher conta que fez até tratamento contra sarna, mas nada resolvia o problema. Até que a terapeuta sugeriu uma solução: converse com a sua coceira e mande ela ir embora. Funcionou! Ok. Esquisito, mas ok. A apresentadora reflete: falo isso e deve ter um monte de gente em casa se coçando agora.

Em casa, ELA assiste ao programa despretensiosamente. Ouve a conversa, acha engraçada. Ela começa a sentir uma coceira no pé, finge não perceber. A coceira sobe para a panturrilha, ela ignora. Agora é a vez da cabeça, ela nao resiste. Coça o couro cabeludo, aproveita para aliviar a sensação do pé e da panturrilha. Ataca com todas as unhas disponíveis a pele em comichão. Ela sabe bem que aquela sensação é mentirosa, imprópria, no mínimo boba. Ela tem certeza de que tudo aquilo tem origem exclusivamente psicológica. Mas, coça. Coça como se não houvesse amanhã.

Na tv, a apresentadora volta a falar de como foi estranho e difícil se livrar do prurido incômodo. E em casa, ela tem a certeza de que a coceira da apresentadora, de alguma forma, foi transferida. Ela mora sozinha. Começa a conversar com a coceira bem baixinho, apesar da casa vazia. Ela tem pavor em pensar que alguém possa ouvir aquela negociação absurda. Depois de um papo honesto com a tal coceira, ela resolve o problema. A coceira vai embora e ela liga para um terapeuta amigo. Marca um horário. Não sabe se vai pedir ajuda pela coceira-psicológica-contagiosa ou pelo diálogo lunático com uma coceira que sequer existiu.

Deixe seu comentário!


 
© Copyright 1996-2012 Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia
Desenvolvimento Techlise Soluções em Tecnologia