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Manoel Hygino
Manoel Hygino
mhygino@hojeemdia.com.br
  

Há personagens e fatos na história de Minas que ainda não mereceram a imprescindível atenção. É o caso de Marilère, um francês que se transferiu a Portugal, depois ao Brasil, acompanhando a família real lusa em sua precipitada fuga da Europa, premida por Napoleão. Guido Tomás Marlière é uma destas figuras.

Não foi santo, nem herói, nem quis ser. Nasceu em Marchano, vila de Jarnage, em 1767, na tumultuada época precedente à Revolução Francesa. De sua infância, pouco se sabe. Após os estudos elementares, ia tentar o liceu para o curso superior de Filosofia, mas se engajou nas tropas da Coroa. Serviu na França, Bélgica e Portugal. Contraiu matrimônio com Maria Victoria da Conceição Rosier, natural da Ilha Terceira, de família com trânsito na corte portuguesa. Em seguida, veio para o Brasil com D. João VI, Príncipe-Regente, interessado em submeter os indígenas.

Sobre Marlière escreveu Afrânio de Mello Franco “Guido Thomas Marlière- O Apóstolo das Selvas Mineiras”, publicado pela Imprensa Oficial do Estado, em 1914. É obra relevante. No decorrer do tempo, publicou-se “Marlière, o civilizador”, de Oiliam José, cuja segunda edição saiu este ano. Conta o ilustre pesquisador que o francês, em 1813, chegou à Zona da Mata mineira para iniciar e conduzir um esforço notável de civilização dos índios, sobretudo croatos, puris e botocudos.

Coube-lhe lançar os fundamentos de várias povoações que hoje são prósperas cidades, como Cataguases, Ubá, Visconde do Rio Branco, Marliéria e outras, além da própria Guidoval. Enfrentou o gentio agressivo, os desertores, soldados e oficiais ambiciosos, aventureiros de toda espécie e procedência.

Acometido pela malária, entrou em decadência física, falecendo aos 67 anos. Com farda de coronel e com as medalhas do rei Luís XVIII, da França, e de Cavaleiro da Ordem Real e Militar de São Luís, ao peito, foi sepultado no alto de um morro, à direita da atual rodovia Ubá-Leopoldina, onde descansou 92 anos. Exumados os seus restos mortais, inaugurou-se ali, em 13 de agosto de 1928, um monumento. O médico e ex-senador Levindo Coelho, senador estadual e vice-presidente da Câmara de Ubá, atestou a autenticidade dos ossos. O presidente de Minas, Antônio Carlos, reverenciou o ilustre personagem com um beijo no crânio, que desceu ao final descanso na base do modesto memorial.

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