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Foi na segunda-feira, 16 de janeiro deste ano, que a Academia Mineira de Letras liberou a indesejada nota de falecimento. Era o acadêmico e escritor Bartolomeu Campos Queiróz, ocorrido na madrugada. Os golpes se consumam quando a noite cede lugar a um novo dia.
Bartolomeu entrou para o sodalício há relativamente pouco tempo e me lembro quando o ex-presidente Murilo Badaró me perguntou como receberia sua candidatura. Com mais de 40 livros publicados, alguns traduzidos para o inglês e dinamarquês, estudioso da filosofia e da estética, utilizou sua arte como processo educativo.
Cursou o Instituto de Pedagogia em Paris e participou no Brasil de importantes projetos educativos, presidindo a Fundação Clóvis Salgado e como o integrante do Conselho Estadual de Cultura. Seus títulos referendam sua vida e sua carreira: Prêmio Cidade de Belo Horizonte, Prêmio Jabuti, Selo de Ouro da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil, Diploma de Honra da ABB, de Londres, Prêmio Rosa Blanca, de Cuba, Quatrième Octogonal, da França, Prêmio Academia Brasileira de Letras, dentre muitos outros.
Nascido na tranquila Papagaio, na região central de Minas, ocupou a Cadeira 26 da Academia, e soube enfrentar as vicissitudes da vida para corresponder a seus sonhos e realizar seus projetos. A insuficiência renal o obrigava às indispensáveis, mas cansativas sessões de diálise, com a qual conviveu durante anos de existência, sempre com superior força do espírito e estocisimo.
Consagrado em nível nacional e com obras editadas no exterior como autor no universo infanto-juvenil, Bartolomeu não se afastou ou menosprezou a literatura destinada ao público adulto, em que se revelou de virtudes elevadas e como tal foi recebido pela crítica e pelos leitores.
Para ele, a escola tem de ser mais criativa, promovendo a interação do livro didático com o livro literário. Lutou por suas ideais e convicções, por todos os meios ao seu alcance. Não escrevia por vaidade, mas por necessidade de expressão. Como se manifestou, recentemente, o também escritor mineiro Ronaldo Cagiano, a literatura lhe proporcionou estar à vontade e a salvo, o único paraíso concebível e confiável: o mundo dos livros.
A propósito, quando se perde Bartolomeu, se lembrará também Duílio Gomes, de uma grei de artistas da palavra, como o confrade Danilo Gomes e Daniel, gente da melhor espécie até porque nascida em Mariana. Duílio, com idade próxima à de Campos Queirós, partiu também recentemente, depois de uma insidiosa enfermidade que não lhe permitia reconhecer os amigos junto ao leito.
Nosso Duílio dizia: "Escrever não é a coisa mais importante do mundo, mas deixar de fazê-lo, quando se tem vocação para tanto, pode ser a pior coisa do mundo". Embora, digo-o eu agora, pior é perder os amigos, como vai acontecendo dolorosamente.
De todo modo, o essencial é que o escritor, o bom escritor, não se insere em uma raça em extinção. Graças a eles, sobrevivemos, e vivemos tão aprazivelmente quanto possível. Assim será pelos séculos afora.
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