HAMILTON AMORIM/PONOTICIAS/Divulgação
invasão de sapos
A infestação é inédita no município e tomou conta de todo o bairro das Andorinhas

Depois de conviver com calor intenso, os moradores de um populoso bairro da cidade de Presidente Olegário, no Noroeste de Minas, estão agora enfrentando um drama inédito: a invasão de milhares de pequenos sapos que tomaram conta de ruas, quintais das casas e prédios públicos, além de estradas e grandes áreas da região. 

A infestação é inédita no município e tomou conta de todo o bairro das Andorinhas, ameaçando se espalhar por outras áreas urbanas. As causas do fenômeno ainda são desconhecidas. Biólogos ouvidos por agentes do Departamento de Vigilância Sanitária do município indicaram que o acontecimento pode ser resultado do desaparecimento de predadores da espécie, principalmente cobras, por causa da diminuição de habitats naturais desses animais.
 
Técnicos da prefeitura de Presidente Olegário e biólogos da região informaram que outra causa que pode ter contribuido para a proliferação anormal dos sapos de pequeno porte é a existência de uma represa artificial existente nas proximidades do bairro mais afetado pelo problema. As águas desse lago, conhecido como "Represinha", eram muito poluídas e contribuíam para o aumento desusado de mosquitos, principalmente pernilongos, que atormentam a vida dos moradores da cidade. Mas, acreditam os biólogos que examinaram o problema e forneceram indicações para a prefeitura, que o calor excessivo e o desaparecimento ou diminuição dos predadores podem ter sido as causas principais para a proliferação dos sapos que saem da lagoa em busca de alimentos e invadem a área urbana do bairro Andorinhas.


invasão de bola
Moradores de Presidente Olegário tiveram que jogar sal na frente de suas casa para espantar os bicho (Foto: Hamilton Amorim/PONOTICIAS/Divulgação)

 
"Passei apertado aqui no sábado passado", disse o morador do bairro, Geraldo Roberto de Carvalho, conhecido como "Geraldo Mecânico". "A minha casa ficou cercada por muitos sapos e tive que jogar mais de sete quilos de sal para espantar os bichos. Mesmo assim, muitos conseguiam passar pelo sal e avançar para tentar entrar na minha casa. Eu fiquei das 7 às 17 horas de sábado espantando os bichos e colocando sal para ficar longe deles. Hoje está um pouco melhor porque não choveu e o sol saiu".
 
O fiscal da Vigilância Sanitária da prefeitura de Presidente Olegário, Antônio Cândido de Lima, disse que o fenômeno começou a ser percebido há 15 dias, quando os pequenos animais começaram a sair das proximidades da represa e buscar as ruas e casas do bairro. Centenas de famílias se queixaram para a prefeitura e denunciaram o problema porque nada parecia conter os pequenos animais que passam por baixo de portões, cercas e até portas das casas provocando apreensão. 
 
A bióloga Consuelo Nepomuceno, do Centro Universitário de Patos de Minas, disse que a proliferação desses animais, que não são nocivos, pode ter acontecido depois da realização de uma limpeza nas águas da represa, pois esses bichos gostam de água limpa, e da chegada das chuvas. Segundo a bióloga, uma única fêmea dessa espécie, "Bufos bufo", gera cerca de 38 milhões de ovos, o que pode provocar uma superpopulação. Consuelo afirmou também que a provável redução dos números de predadores, cobras principalmente, aliada à redução dos habitats, podem colaborar para a explosão populacional.