Treze integrantes de uma quadrilha que teria envolvimento com esquema de prostituição que agia em Minas e no Recife foram denunciados pelo Ministério Público, na última quarta-feira (25). Dentre eles estão os líderes do grupo, que atraíam mulheres para exploração sexual, principalmente por meio de sites na internet. De acordo com o MP, os chefes da quadrilha eram proprietários de, pelo menos, oito sites, por onde agenciavam, anunciavam e hospedavam fotos de garotas de programa de várias cidades.

Os suspeitos foram presos pela Polícia Civil, no início de setembro, durante a Operação Copa do Mundo II. Com um casal apontado como chefe da quadrilha foram apreendidos dois carros de luxo, uma BMW X5 e uma Land Rover, além de 300 celulares etiquetados por nomes de cidades, 80 cartões bancários, talões de cheque, passaportes da família, tablet, televisão, R$2.400 em dinheiro, além de cédulas de euro e peso. Segundo a polícia, cerca de 50 mulheres faziam parte do esquema. A investigação começou por meio de um site registrado em nome do casal Sérgio Marques Geraldo, de 41 anos, e Eva Maria Barbosa, de 38, que estaria agenciando as garotas.

Além de exploração sexual, o MP denunciou o casal por ocultar a origem do dinheiro. Para isso, eles teriam criado uma empresa de fachada. Dos demais, o órgão pede a condenação de todos os acusados à suspensão dos direitos políticos, à indenização civil da sociedade por dano material coletivo e à perda de computadores, celulares e veículos utilizados na prática dos crimes. A Justiça também deverá analisar o pedido de afastamento do sigilo fiscal e de quebra do sigilo bancário dos líderes da quadrilha.

Telemarketing do sexo

Segundo a polícia, em um escritório central, no bairro Prado, o casal mantinha atendentes de telemarketing, motoristas e uma faxineira. O cliente entrava no site e escolhia uma garota pela foto exposta no site. O atendimento era feito pela telefonista que combinava o valor do programa e já marcava um encontro com a garota.

Um dos lugares escolhidos era um “Scot Bar”, no Alto Barroca, onde supostamente funcionava uma casa de estética, de propriedade do casal. Feito o acordo, a atendente designava um motorista para buscar a garota de programa e a levava até o local, onde o serviço era concluído. Grande parte do dinheiro, cerca de 60%, era repassado à organização criminosa.

Para a ocultar a origem do dinheiro eles criavam empresas de fachada. No escritório central, supostamente funcionava uma empresa de informática e no alto barroca, onde funciona o Scot bar, seria um centro de estética. Os funcionários eram contratados, inclusive com carteira assinada.