Lucas Prates/Hoje em Dia
adoção Valbio Messias da Silva e Liamar Dias de Almeida
Pais adotivos garantiram que irão recorrer da decisão e que vão lutar pela menina

A menina de 4 anos que há dois anos e meio convive com os pais adotivos Valbio Messias da Silva, de 49, e Liamar Dias de Almeida, de 47, terá de quatro a cinco meses para se adaptar e voltar ao convívio dos pais biológicos. Durante audiência realizada nesta quinta-feira (17), a Justiça definiu que o retorno da criança para a casa do mestre de obras Robson Ribeiro Assunção e sua mulher Maria da Penha Nunes, irá ocorrer de forma gradual.

No primeiro mês foi determinado que a menina será acompanhada por uma assistente social do Juizado da Infância e Juventude de Contagem, na Grande BH, para iniciar a preparação da mudança. Ao fim deste período, ela terá o primeiro contato com os pais biológicos, depois com os seis irmãos e, por fim, com a casa para onde será transferida. Durante todo esse processo, ela continuará na casa dos pais adotivos.
 
Por volta do quarto ou quinto mês, uma nova audiência será agendada para marcar a data definitiva do retorno da criança para os pais biológicos.
 
Revolta
 
Os advogados de defesa do casal adotivo já indicaram que, nesta sexta-feira (18), irão entrar com dois recursos no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Na primeira ação, será solicitado o retorno do processo de adoção que estava suspenso. Na outra será pedida nova destituição do poder familiar dos pais biolõgicos. Nessa ação, eles vão se basear nos laços afetivos que já foram criados entre a menina e os pais adotivos.
 
Muito emocionada, Liamar disse, aos prantos, que vai lutar com todas as suas forças para reverter a decisão de ter que entregar a filha. Já o empresário Valbio se mostrou descrente com o processo de adoção no Brasil. Segundo ele, o caso abre precedente para que outras familias adotivas percam seus filhos.
 
Os pais biológicos da pequena, por sua vez, garantiram que estão felizes com o resultado e que irão receber a filha de braços aberto. "Onde comem seis comem sete", brincou Robson, que ressaltou que os irmãos estão esperando pela chegada da menina.
 
Entenda o caso 
 
O drama da menina de 4 anos que terá que deixar o lar dos pais adotivos após uma ordem da Justiça sensibiliza milhares de pessoas. Uma página criada no Facebook na tarde de terça-feira (15) já conta com mais de 6 mil seguidores. O apoio é demonstrado também por meio de fotos e mensagens. 
 
O imbróglio começou em 2009. Aos 2 meses de idade, a criança foi retirada dos pais e levada a um abrigo após denúncias de desafeto e abandono. Um ano depois, foi entregue a um casal inscrito no cadastro nacional de adoção, e o Ministério Público obteve, na Justiça, a “destituição do poder familiar” dos pais biológicos. Mas eles recorreram e conseguiram, agora, retomar a guarda da filha, que vive com a outra família há três anos.