Andre Brant/Hoje em Dia
Rebelião na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, termina após 30 horas
Após 30 horas de rebelião, os detentos fecharam acordo com o Comitê de Crise e libertaram os reféns

Chegou ao fim a rebelião que durou mais de 30 horas na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), a revolta acabou às 16 horas após um acordo feito entre os detentos e o Comitê Gestor de Crise.

Ainda conforme a Seds, após horas de negociações dois presos rebelados se reuniram, por aproximadamente uma hora e meia, com o Comitê e chegaram a um acordo que foi aprovado pelos demais detentos. Um dos pontos deste acordo, é que a os presos teriam sua integridade física garantida. Outro item destacado pela Seds é que o diretor do presídio Luiz Carlos Danúbio não será afastado do cargo, como exigiam os rebelados, mas possíveis denúncias serão investigadas e todos os presos que participaram da rebelião serão ouvidos pela corregedoria.

Além disso, a visitação de mulheres grávidas voltará a ser permitida. Até então, as visitas eram restritas e monitoradas por agentes penitenciários, o que também foi motivo da revolta dos detentos. A Seds garantiu ainda que nenhum dos rebelados será transferido para outra unidade prisional.
 
O agente penitenciário Renato André de Paula e a professora Eliana da Silva que estavam sendo feitos reféns desde a manhã de quinta-feira (21) foram libertados pelos presos. Segundo a Seds, os funcionários não tiveram nenhum ferimento e passam bem. Eles foram  encaminhados ao setor de saúde da unidade prisional, onde passaram por um atendimento médico. 
 
A polícia entrou no Pavilhão I e os detentos passaram por exames médicos e revista no pátio do presídio.

Rebelião 
 
A rebelião que durou mais de 30 horas começou por volta das 9 horas de quinta-feira (21) no Pavilhão 1 do Complexo Prisional. Durante uma aula, os presos renderam o agente penitenciário Renato André de Paula e a professora Eliana da Silva. Nesta sexta-feira, surgiu o boato de que outras cinco pessoas estariam sendo feitas reféns, mas a informação não foi confirmada.
 
Ainda segundo a Seds, os detentos envolvidos na rebelião ficaram sem água e luz desde o início da revolta. Eles também não se alimentaram desde a quinta-feira. Duzentos e dez militares e 30 agentes penitenciários do Comando de Operações Especiais (Cope) foram envolvidos na ação e todos os pavilhões da penitenciária foram cercados.
 
Durante a noite da quinta-feira, um ônibus foi queimado no Anel Rodoviário de BH. Um bilhete com as inscrições "Opressão ao Sistema" foi encontrado dentro do coletivo, o que reforça a hipótese de que o incêndio tenha sido orquestrado por cúmplices dos detentos rebelados que também escreveram a mesma palavra no pátio do pavilhão na manhã desta sexta.

Segundo a Seds, o líder do movimento seria Daniel Augusto Cypriano, de 29 anos, também conhecido como  "Carioca" e “Snap". O detento de Conselheiro Pena, tem seis condenações, sendo cinco por roubo e uma por homicídio e cumpre pena na Nelson Hungria desde agosto de 2011. 
 
Dentre os detidos na penitenciária Nelson Hungria estão o goleiro Bruno Fernandes e seu braço-direito Luiz Henrique Ferreira Romão, o "Macarrão". O promotor Henry Vagner Vasconcelos, que acompanha o caso do goleiro, esteve na unidade prisional na noite de quinta-feira para ter notícias do réu. 
 
Além deles, também estão na penitenciária Frederico Flores, apontado como líder do “Bando da Degola”, Marcos Antunes Trigueiro, o homem que ficou conhecido como “Maníaco de Contagem”. Nenhum deles, porém, estaria na ala onde ocorre a revolta dos presos. 
 

*Com informações de Alessandra Mendes (atualizada às 18 horas)