Frederico Haikal/Hoje em Dia
Seca obriga criador a vender gado abaixo do preço de custo
Lagoa seca em fazenda de Porteirinha, no Norte de Minas: chuvas são aguardadas para setembro

Produtores rurais do Norte de Minas estão vendendo o quanto podem de seus plantéis de gado para minimizar os prejuízos causados pela seca. Somente nos últimos quatro meses, foram vendidas cerca de 800 mil cabeças de gado na região, segundo o Sindicato dos Produtores Rurais de Janaúba.
 
Segundo o presidente do sindicato, José Aparecido Mendes Santos, com a situação atual dos pastos, pelo menos outras 800 mil cabeças precisarão ser vendidas nas próximas semanas. Do início de 2012 até agora, mais de 100 mil cabeças de gado morreram no Norte de Minas em função da seca.
 
O problema é que, em função da corrida para vender o gado, o preço da arroba despencou em 30%. E o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) que incide sobre a venda de gado, que havia sido reduzido para 4% justamente para contrabalançar os prejuízos com a seca, voltou neste mês para a alíquota normal, de 18%.
 
Dois anos de seca
 
A seca castiga a região há dois anos e é considerada a mais grave dos últimos 50 anos. 
 
“O sorgo era uma alternativa para alimentar o gado, mas nem isso temos mais. Aproximadamente cinco mil hectares irrigados estão prejudicados, porque a barragem está com apenas 30% da capacidade de armazenagem de água”, afirma Santos.
 
Segundo ele, nem o galpão de milho subsidiado pelo Governo Federal para estocagem de mais de duas mil toneladas do grão atende às necessidades dos agricultores. “Seriam necessários, pelo menos, mais três galpões.”, afirmou.
 
De acordo com o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Montes Claros, Ricardo Laughton, os produtores reivindicam nova redução do ICMS para até o dia 30 de junho.
 
Outro apelo do Sindicato é por investimentos na armazenagem de água, a fim de evitar que os problemas se repitam no futuro. “A precipitação pluviométrica aqui é boa, mas a chuva cai em um período de tempo pequeno. Queremos barragens ‘afogadas’, que não atrapalham o curso natural dos rios, são baratas e seguram a água”, diz Ricardo.
A expectativa é de que volte a chover a partir de setembro. “Caso contrário, teremos uma situação gravíssima, catastrófica”, afirma. 
 
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