Foi sob calorosos aplausos que a atriz Cecília Bizzotto, de 32 anos, foi enterrada na tarde desta segunda-feira (8) no cemitério do Bonfim, região Noroeste de Belo Horizonte. A salva de palmas que outrora era dada para agradecer o ato de cada peça, agora homenageava a artista, em meio a um sentimento de revolta e comoção por um desfecho trágico ocorrido na madrugada do último domingo (7), quando ela foi assassinada dentro de sua casa. Entre os presentes no sepultamento estavam o candidato derrotado à prefeitura de Belo Horizonte, Patrus Ananias, o presidente do Atlético, Alexandre Kalil, além de membros de grupos teatrais. Eles levaram o conforto à dezenas de familiares e amigos, que deram o último adeus à Ciça, apelido pelo qual era conhecida.
Foi em silêncio que chegaram o pai, Jefferson Pinto, a mãe, Cláudia Bizzotto, a irmã, Patrícia Bizzotto, o irmão, Marcelo Bizzotto Pinto, e o filho da atriz, de 12 anos. Eles vieram de Paris (FRA), onde estavam passeando. Emocionada, Cláudia não quis dar entrevistas e apenas preferiu deixar suas últimas palavras na hora do sepultamento. “Quero justiça e quero que ela seja mais um exemplo de protesto contra a violência. Ela era uma filha exemplar, nunca me deu problema. Apenas queria agradecer o tempo que vivemos juntas. Lamento que por causa de dois celulares perdemos uma filha”, afirmou.

Foi sob emoção que parentes e amigos acompanharam o enterro (Foto: Lucas Prates)
Marcelo Bizzotto, irmão da atriz que a acompanhava durante o trágico desfecho do último domingo, esteve com policiais civis logo após o sepultamento. Ainda no local, ele observou a foto de três suspeitos que lhe foi apresentada pelos oficiais. Entretanto, a corporação não quis informar se houve reconhecimento dos possíveis assassinos.
Vida cultural
Cecília era atriz e já participou de várias intervenções culturais em Belo Horizonte. Uma das montagens mais recentes foi Rei Lear, da Companhia Lúdica dos Atores. Segundo a amiga, a atriz Dayse Belico, Cecília estava trabalhando na campanha do Patrus. As duas fizeram parte da primeira turma do curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Minas Gerais. “Ciça fez mestrado na Inglaterra, era engajada e sempre indignada com a vida. Tão indignada que morreu ao tentar avisar a polícia sobre o assalto. Era uma pessoa maravilhosa, sempre sorrindo”, disse Dayse.


