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WILSON MARTINS / DIÁRIO DE CARATINGA
Agnaldo Timóteo depõe em Caratinga e diz acreditar na inocência do amigo “Maguila”
A Polícia Civil (PC) de Caratinga, no Vale do Rio Doce, vai encaminhar à Justiça, no início da próxima semana, o inquérito da investigação de suposta rede de pedofilia na cidade. Nesta sexta-feira (27), investigadores ainda cumpriram diligências em Ipatinga e Timóteo, no Vale do Aço. A intenção dos policias era ouvir testemunhas. O esquema é investigado desde junho do ano passado, depois que um casal foi até a Delegacia Especializada de Orientação e Proteção à Família denunciar que o filho havia viajado em companhia de outro menor para o Rio de Janeiro, com desconhecidos, para fazer testes em times de futebol.
Nas semana passada, durante a operação Contra-ataque, seis pessoas foram presas por suposto envolvimento no esquema. Na ação, os policiais apreenderam seis computadores, celulares, preservativos, gel lubrificante, DVDs e revistas pornográficas. Foram encontradas também várias carteiras de identidade, que, segundo a Polícia Civil, seriam de menores de idade.
A delegada Nayara Travassos, que chefia a investigação, diz que ainda faltam resultados de alguns laudos feitos pela perícia técnica para serem anexados ao inquérito, que soma mais de mil páginas. Entre os suspeitos de envolvimento no esquema está o treinador de futebol Cláudio Roberto Lopes, de 49 anos, conhecido pelo apelido de “Maguila”, que coordena equipes de base em Caratinga.
Sobre o treinador recai a suspeita de que se aproximava dos menores e prometia testes em vários times do país. Com o homem, a polícia apreendeu filmes pornográficos e teve acesso a conversas dele na internet. “Estamos investigando também crimes de falsificação de documentos públicos, já que, na operação, apreendemos certidões de nascimento falsificadas e carimbos de cartórios”, afirma Nayara Travassos.
“Amigo meu não tem defeito”, diz Agnaldo
Em depoimento, Maguila citou o nome do cantor e vereador em São Paulo pelo Partido da República (PR) Agnaldo Timóteo no inquérito. O cantor prestou depoimento na quinta-feira (26), na Delegacia de Mulheres de Caratinga. Ele é arrolado como testemunha.
“Amigo meu não tem defeito. Maguila é um sonhador é quer descobrir um grande talento na região. No mês passado, ele esteve na minha casa, no Rio de Janeiro, em uma van com 30 garotos que foram fazer testes em equipes de futebol. Dei dinheiro para os jovens lancharem e ajudei com R$ 300 na gasolina”, afirma Agnaldo, que falou com o Hoje em Dia, por telefone. O cantor acredita na inocência do amigo. “É um pai de família, trabalhador, que tem dois filhos. Quer encontrar um Neymar”, diz.
Durante a operação Contra-ataque, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Caratinga, Santa Barbara do Leste e Ubaporanga. Além de Maguila, foram presos Celso Nunes Pereira, de 45 anos; Wanderlei dos Reis Paulino, 44; Fábio Mafra da Fonseca, 42; Leonardo Hebert Brandão da Cruz, 31; e David Henrique Cristovão Senra, 22. Todos tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça de Caratinga e estão no presídio local.