Marcelo Prates
lagoa santa
A beleza da lagoa central esconde a poluição causada, em parte, pelo esgoto das fossas de casas

Com 6,3 quilômetros de orla, a lagoa central é um dos principais cartões-postais de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Muito procurado pelos turistas, o espaço também é usado para a prática de esportes. Embora seja rica em flora e fauna, a represa esconde em sua água turva a poluição provocada pela falta de investimentos públicos.

“Pesquisas feitas pela UFMG constataram níveis elevados de contaminação da água por algas tóxicas”, avisa Nélson Murta. Ele é colaborador do Pedalagoa, movimento de defesa do meio ambiente de Lagoa Santa.
 
Uma das causas da poluição, segundo Murta, são as fossas, muitas construídas nas casas da orla. “A lagoa recebe o chorume desses pinicões”, lamenta.
Alheio ao risco, o aposentado Messias Alves Pacheco, de 69 anos, tem o hábito de pescar na lagoa. “Dá para levar para casa de dois a três quilos de peixe, por dia. O problema maior aqui é nas margens, que ficam cheias de lixo”, diz.
 
Porém, não há nenhuma placa na orla alertando para os riscos.
 
Ciclovia
 
O estudante Ítalo Gonçalves Resende, de 17 anos, gosta de correr em volta da lagoa. Embora comemore a criação de dois quilômetros de ciclovia na orla, ele reclama do aspecto de abandono. “A lagoa está muito descuidada e cheia de mato. Uma obra para evitar a poluição está parada há mais de um ano”, diz.
 
A intervenção da prefeitura fica em frente à praça Ana Dolabella Portella, no bairro Santos Dumont, que também precisa de reforma.
 
Segundo o colaborador do Pedalagoa, essa intervenção servirá para conter a poluição. “Certamente, a obra reduzirá o efeito do assoreamento, mas há contestações de técnicos e ambientalistas quanto ao projeto em execução, por não ser o mais eficiente método adotado para lagoas com essa dimensão”, observa. 
 
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