Lucas Prates
palmeiras imperiais
O transplantio das palmeiras imperiais que ficavam na Antônio Carlos começou em 23 de junho

Na contramão do projeto da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), de ampliar o número de árvores na cidade, plantando 54 mil mudas até 2013, os principais corredores de trânsito estão perdendo parte da vegetação. Como na avenida Cristiano Machado, a paisagem da Antônio Carlos não é mais a mesma.

A via perdeu 46 palmeiras imperiais, retiradas por causa das obras do Transporte Rápido por Ônibus (BRT). As árvores serão transplantadas para a área interna da Fundação Zoo-botânica de BH e para as avenidas Abraão Caram e Tancredo Neves.
 
Outras 58 espécies serão suprimidas na Antônio Carlos, incluindo jacarandás e mangueiras. Para o professor do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), João Renato Stehmann, os programas da prefeitura não levam em conta a vegetação dos locais onde estão sendo feitas as obras.
 
“Os projetos devem apresentar alternativas para que se corte o mínimo de árvores. O debate sobre a execução das obras devem ser mais amplo”, defende.
 
Segundo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, as árvores transplantadas ou suprimidas são definidas conforme análise das condições fitossanitárias (de saúde). Elas são cortadas quando não oferecem garantia de estabilidade após o transplantio.
O professor João Renato ressalta que a maior parte das intervenções muda totalmente a paisagem da capital, desconsiderando as árvores como componentes históricos. “A tendência é termos áreas cada vez menos verdes, substituídas por cimento”.
 
Em nota, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou que um levantamento técnico detectou que as 58 árvores que serão retiradas da Antônio Carlos não têm condições adequadas para transplantio. Os cortes foram autorizados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
 
Segundo a secretaria, já foram plantadas 170 mudas na avenida, entre a Abraão Caram e o viaduto São Francisco, como ipês roxo e amarelo e tabaco. O transplantio e supressão são feitos desde 23 de junho e a previsão é que o trabalho termine no dia 14. Já foram replantadas 26 espécies, dez na avenida Tancredo Neves e 16 na Fundação Zoo-botânica.