Apesar do uso de 34 aviões e 40 navios, as operações de busca -que têm a participação de Austrália, China, Estados Unidos, Filipinas, Indonésia, Malásia, Cingapura, Tailândia, Vietnã e Nova Zelândia- ainda não encontraram os destroços do avião da Malaysia Airlines, desaparecido há dois dias.

"Infelizmente (...) não encontramos nada que pareça pertencer à aeronave, para não falar da própria aeronave", disse Azharuddin Abdul Rahman, diretor do Departamento de Aviação Civil da Malásia.

As buscas para encontrar o Boeing 777 da Malaysia Airlines, desaparecido há mais de 48 horas com 239 pessoas a bordo, se concentravam nos arredores de uma ilha vietnamita isolada, onde foram observados destroços que poderiam pertencer a uma aeronave.

A aviação vietnamita avistou ontem à noite, a 80 km da ilha Tho Chu, sul do país, dois objetos que poderiam pertencer ao voo MH370, que viajava entre Kuala Lumpur e Pequim, com 227 passageiros a bordo de 14 nacionalidades diferentes, incluindo 153 chineses, e 12 tripulantes.

O governo da Malásia anunciou que enviou vários barcos para investigar um objeto flutuante que poderia ser um bote salva-vidas.

O ministro da Defesa da Malásia e titular interino de Transportes, Hishamuddin Hussein, disse que uma equipe de reconhecimento foi enviada para determinar o que era o objeto -tratava-se de uma capa mofada de um carretel de cabos, informou o jornal vietnamita "Thanh Nien".

Hipóteses 

A possibilidade de sequestro do avião não está descartada e todas as hipóteses estão sendo investigadas a respeito do voo desaparecido, informou hoje o chefe das investigações na Malásia.

China 

Na China, onde os familiares dos desaparecidos esperam por notícias, a imprensa criticou duramente as autoridades da Malásia e da companhia aérea, além de lamentar carências nos dispositivos de segurança.

Se a tragédia do voo MH370 for confirmada, será uma das piores catástrofes aéreas da história da China.

"As autoridades malaias não podem fugir de suas responsabilidades", afirma o jornal Global Times, conhecido pelo nacionalismo. "A resposta inicial da Malásia não foi suficientemente rápida. Foram registradas carências por parte da Malaysia Airlines e das autoridades de segurança", completa.

O governo da Malásia abriu ontem, uma investigação por terrorismo -dois passageiros viajavam com passaportes roubados (um italiano e outro austríaco).

"Se (o desaparecimento) foi provocado por um problema mecânico ou por um erro do piloto, a responsabilidade é da Malaysia Airlines. Se foi um atentado, os controles de segurança do aeroporto de Kuala Lumpur devem ser punidos", afirma o Global Times.

Para o jornal oficial China Daily, "não é possível descartar a hipótese terrorista". Ao mesmo tempo, criticou as autoridades malaias e internacionais por omitir a identidade dos passageiros com passaportes falsos.

Abdul Rahman confirmou que outros cinco passageiros despacharam a bagagem, mas não embarcaram na aeronave. A Malaysia Airlines informou que, quando as ausências foram registradas, as bagagens foram isoladas, de acordo com procedimento de rotina.