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Bombeiros já retiraram 90% dos escombros da Cinelândia
Por volta das 21 horas desta sexta-feira (27), as equipes de resgate do Corpo de Bombeiros encontraram a 15ª vítima fatal dos três prédios que desabaram na última quarta, no centro do Rio de Janeiro. O corpo foi achado no sub-solo dos escombros dos edifícios que desmoronaram, até então desconhecido por eles.
Apesar do resgate bem-sucedido, ao menos 19 pessoas ainda continuam desaparecidas. Os corpos são de cinco homens, quatro mulheres e seis ainda não foram identificados. O corpo de Bombeiros concentra as buscas desta sexta no local onde fica o subsolo do edifício Liberdade, o maior dos três que desabaram.
Um pouco mais cedo, às 19h30, as equipes de resgate encontraram a 14º vítima do desabamento. O 13º corpo foi localizado pela Comlurb, empresa que cuida da limpeza pública do Rio, em meio ao entulho retirado do local do desastre. O comandante do Corpo de Bombeiros, Sérgio Simões, informou que a vítima estava no local para onde os escombros estão sendo levados. Entretanto, ele não informou onde acontece o descarte do entulho. Pelas características da mão, Simões diz acreditar ser de uma mulher.
De acordo com o tenente Luciano Sarmento, do Quartel Central do Corpo de Bombeiros, até as 17h desta sexta foram retirados 90% dos escombros dos edifícios, cerca de 20 mil toneladas de entulho.
Na tarde desta sexta as equipes chegaram ao ponto onde estaria concentrado o maior número de vítimas. As buscas estão focadas na área onde ficava um curso, no prédio de número 44 na avenida 13 de Maio, no qual estariam 11 pessoas.
Com os focos de incêndio que ainda persistiam nos escombros, a fumaça atrapalhava o trabalho das equipes e dos cães farejadores, além de impossibilitar o uso dos sensores de calor . Os sensores de som também não eram utilizados, pois o barulho também é forte, o que comprometeria a operação. As buscas acontecem apenas com máquinas e homens.

Flores deixadas no local do desabamento dos prédios, em homenagem às vítimas (Foto: Wilton Junior/AE)
No início da tarde, a Defesa Civil informou a localização de mais dois corpos, mas não precisou o sexo da 10ª e da 11ª vítimas. O nono corpo estava em um local onde seria uma das saídas do Edifício Liberdade, de 20 andares, o primeiro que desabou, e segundo os bombeiros é de uma mulher. Ainda não há detalhes sobre os dois últimos localizados.
Os bombeiros acreditam que no local podem ser achados outros corpos de pessoas que tentavam sair do prédio antes do desabamento, por isso o trabalho das esquipes está concentrado na área, inclusive com cães farejadores.
O volume de fumaça, de poeira e um forte cheiro de queimado ainda são grandes no local dos desabamentos, apesar da chuva fina que cai no centro do Rio. Bombeiros usam máscaras para aliviar o cheiro.
Segundo o subcomandante do Corpo de Bombeiros, coronel Ronaldo Alcântara, os objetos pessoais e documentos que estão sendo encontrados entre os escombros são entregues à Polícia Militar. Ele disse que também já foram recolhidos quatro cofres que pertenceriam a empresas de contabilidade e que tiveram que ser tirados com guinchos, além de sete caixas eletrônicos da agência bancária do Itaú que funcionava no térreo de um dos prédios que caíram.
“Todos os objetos encontrados estão sendo entregues à Polícia Militar e os entulhos estão sendo levados para canteiros de obras da prefeitura na zona portuária”.
Instituto Médico-Legal (IML) informou que foram identificados Cornélio Ribeiro Lopes, de 73 anos, porteiro do Edifício Liberdade, onde morava com a mulher, Margarida Vieira de Carvalho, que está desaparecida, e Celso Renato Braga Cabral, de 44 anos – cujo enterro ocorrerá nesta manhã, em Niterói, região metropolitana do Rio.
As equipes de socorro, comandadas pelo Grupamento de Busca e Salvamento (GBS) do Corpo de Bombeiros com o apoio da Defesa Civil e da Polícia Militar, intensificarão hoje o trabalho de busca por mais vítimas. Cães farejadores ajudam nos resgates. As dificuldades, segundo os bombeiros, são geradas principalmente pela nuvem de poeira que ainda é intensa no local.
Câmera grava o momento do desabamento
Câmera de segurança flagra momento do desmoronamento no Rio de Janeiro por jajacolino12 no Videolog.tv.
Cerca de 22 toneladas de escombros foram retiradas da área. Toda a região em volta dos três prédios que desabaram – um de 18 andares, outro de 10 e o menor com quatro pisos – será mantida isolada, segundo as autoridades locais. Por segurança, quatro prédios que ficam próximos aos edifícios que desabaram estão fechados.
As investigações sobre as causas do acidente ainda não foram concluídas. Mas a suspeita mais provável, segundo os investigadores, é que houve colapso na estrutura do prédio mais alto, devido a falhas em uma reforma feita em um dos andares, onde funcionava uma empresa de informática.
A desconfiança é que a reforma, que ocorria há dois meses, levou à retirada de vigas de sustentação, ameaçando a estrutura do prédio. Os dois edifícios que estavam ao lado acabaram sendo atingidos pela força da primeira queda, segundo investigações preliminares.
As famílias das vítimas estão sendo mantidas em um núcleo de atendimento, na Câmara Municipal do Rio, que fica perto do local onde ocorreram os desabamentos. Os atendimentos aos parentes e amigos são feitos por funcionários da Defesa Civil e da prefeitura da capital.
Os desabamentos ocorreram na quarta-feira, por volta das 20h30, e atingiram três prédios antigos da região central do Rio. Um grupo de 80 homens do Corpo de Bombeiros, com o apoio da Polícia Militar e da Defesa Civil, trabalham na área. Vários bombeiros têm experiência em situações de risco e chegaram a ajudar durante os resgates no Haiti, quando houve o terremoto de 12 de janeiro de 2010.
Após os desabamentos, um vazio se abriu no centro da cidade. No local agora só há escombros e poeira. O governador do estado, Sergio Cabral, decretou na quinta luto de três dias em homenagem à memória das vítimas da tragédia.
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