RIO DE JANEIRO – O número de policiais expulsos da Polícia Militar (PM) do Rio mais do que dobrou nos últimos dois anos. Em 2011, foram excluídos 143 policiais, índice que chegou a 317 em 2012, um aumento de 143%. A informação foi divulgada nessa sexta-feira (8), pelo coordenador de Comunicação da PM, coronel Frederico Caldas, durante entrevista à imprensa sobre a Operação Fortaleza, que prendeu 21 policiais militares acusados de envolvimento com traficantes do Morro da Providência, no centro do Rio.

“Eu quero destacar a intolerância da instituição diante do desvio de conduta. Não é aceitável ou razoável imaginar que um agente público vai se permitir a um comportamento desviante, sem que a instituição dê a resposta necessária”, disse o coronel. Na operação de hoje, os policiais foram presos após quase um ano de investigações, incluindo escutas telefônicas, demonstrando ligações com traficantes da do Morro da Providência, favela próxima à Secretaria de Segurança Pública (Seseg).

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, comentou o aumento no número de exclusões na PM e disse que o combate à corrupção é um dos grandes desafios da secretaria. “Temos que deixar muito claro, não só verbalizando, que queremos combater isso. O nosso discurso tem que ter uma coerência com a prática. E esse é o nosso grande desafio: combater o desvio de conduta e mostrar que estamos fazendo”, declarou.

De acordo com denúncia do Ministério Público (MP), os policiais recebiam diariamente, por viatura, de R$ 100 a R$ 200 para permitir o tráfico de drogas na comunidade. Todos os policiais militares trabalhavam no 5º Batalhão da PM, responsável pelo policiamento na área central da cidade. O Morro da Providência tem uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Mas, segundo as investigações, não houve envolvimento dos policiais da UPP nos casos de corrupção.

A investigação começou em maio de 2012, pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que investigava o tráfico de crack na região por menores de idade, mas acabou flagrando o envolvimento de policiais na arrecadação de propinas, o que forçou a entrada da Subsecretaria de Inteligência da Seseg no caso.

Entre os policiais presos estão soldados, cabos, sargentos e subtenentes, mas nenhum oficial envolvido, segundo a PM. O promotor Homero das Neves Freitas Filho, que ofereceu denúncia contra os policiais, disse não ter dúvida de que se tratava de uma quadrilha. “Os policiais militares estão indiciados por crime de quadrilha. Eles eram uma quadrilha, sem dúvida nenhuma. Recebiam dinheiro para não reprimir e para avisar quando tivesse alguma operação [na região].”