Diego Zanchetta/Estadão Conteúdo
Repórter da Folha atingida no olho por bala de borracha relata covardia da PM
Mesmo identificada, repórter foi atingida de forma covarde pelos militares

A repórter da TV Folha, Giuliana Vallone, atingida no olho por uma bala de borracha (Veja o vídeo abaixo), quando cobria o protesto contra o aumento de passagem, na noite desta quinta-feira (13), em São Paulo, informou, por meio de sua conta no Facebook, que passa bem. Em uma nota, ela diz que consegue enxergar com olho machucado, que não se arrepende de ter feito a cobertura e ainda agradece as manifestações de preocupação que recebeu. A jornalista também relata a ação covarde, insana e desmedida da Polícia Militar de São Paulo.

Leia a postagem na íntegra:

"Queridos,
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todas as manifestações de carinho e preocupação recebidas dos amigos e também de pessoas que não tive a oportunidade de conhecer. Vocês são incríveis.

Agora, o boletim médico: passei a noite no hospital em observação. A tomografia mostrou que não há fraturas nem danos neurológicos. A maior preocupação era o comprometimento do meu olho, que sofreu uma hemorragia por causa da pancada. Felizmente, meu globo ocular não aparenta nenhum dano. E agora, ao acordar, percebi a coisa mais incrível: já consigo enxergar com o olho afetado, o que não acontecia quando cheguei aqui. Fora isso, estou muito inchada e tomei alguns pontos na pálpebra.

Sobre o aconteceu: já tinha saído da zona de conflito principal --na Consolação, em que já havia sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência-- quando fui atingida. Estava na Augusta com pouquíssimos manifestantes na rua. Tentei ajudar uma mulher perdida no meio do caos e coloquei ela dentro de um estacionamento. O Choque havia voltado ao caminhão que os transportava. Fui checar se tinham ido embora quando eles desceram de novo. Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena. Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara. O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.

Cobri os dois protestos nesta semana. Não me arrependo nem um pouco de participar desta cobertura (embora minha família vá pirar com essa afirmação). Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?

Em tempo: obrigada Giba Bergamim Junior e Leandro Machado pelos primeiros socorros!"


Veja o vídeo que mostra o momento em que a repórter foi atingida: