A presidente Dilma Rousseff pronunciou nessa terça-feira (25) o discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU. Há um ano, ela se tornara a primeira mulher a fazer tal coisa. A primazia se deveu ao fato de que, pela primeira vez, uma mulher presidia o Brasil. Desde 1947, quando um brasileiro, o embaixador Osvaldo Aranha, fez o discurso inaugural, a honra passou a ser, por tradição, do Brasil. E tradicionalmente o discurso não tem qualquer importância. Afinal, o Brasil ajudou a fundar a ONU, mas jamais fez parte de seu Conselho de Segurança ou influiu na política mundial.

Não será diferente dessa vez, apesar dos avanços alcançados nos últimos anos e destacados por Dilma. Enquanto ela se empolgava em sua fala, as atenções estavam voltadas, como sempre, para o discurso que viria a seguir, do presidente dos Estados Unidos.

No entanto, vale refletir sobre alguns pontos destaca-dos por ela. Há um ano, o mundo vê agravarem-se os problemas oriundos da crise econômica iniciada em 2008, em razão das políticas fiscais ortodoxas adotadas pelos países mais desenvolvidos, e que têm reflexos negativos para o resto do mundo. “A política monetária não pode ser a única resposta para resolver o crescente desemprego, o aumento da pobreza e o desalento que afeta, no mundo inteiro, as camadas mais vulneráveis da população”, disse Dilma, citando exemplos de opções bem-sucedidas no Brasil.

Ela respondeu também às reclamações recentes do governo norte-americano contra medidas adotadas pelo Brasil para enfrentar a política monetária expansionista de países ricos que desequilibram as taxas de câmbio de países emergentes, que perdem mercado por causa da valorização artificial de suas moedas. “Não podemos aceitar que iniciativas legítimas de defesa comercial por parte dos países em desenvolvimento sejam injustamente classificadas como protecionismo”, afirmou Dilma. Tais medidas estão amparadas pelas normas da Organização Mundial do Comércio.

Alguns pontos que confrontam Brasil e Estados Unidos, dos quais Dilma não fugiu, são, entre outros, o embargo comercial contra Cuba e o posicionamento diante da crise Síria. A presidente reconheceu a responsabilidade do governo sírio pelo massacre, mas alertou para a responsabilidade das oposições armadas e dos países que lhes dão apoio militar e logístico. “Não há solução militar para a crise síria”, disse. E aduziu: “A diplomacia e o diálogo são não só a melhor, mas, creio, a única opção”.