|
|
| .Economia e Negócios |
lucas prates
A assistente financeira Alessandra Estrela investe na qualificação profissional
O número de negros desempregados é quase duas vezes maior do que o contingente de não negros na mesma situação na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Além disso, eles trabalham mais horas por dia e recebem menos do que o restante da população, segundo dados revelados pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada ontem. O levantamento mostrou que, em 2010, 63% dos desempregados eram negros e pardos. Somente os 37% restantes eram do grupo de não negros.
Em 2010, foram gerados cerca de 14 mil postos de trabalho na RMBH. Com isso, a taxa de desemprego, levando em conta a População Economicamente Ativa do período, fechou o ano em 10,3%. Em 2009, a taxa foi de 8,4%.
Quando os dados são desagregados de acordo com a cor e o sexo, as mulheres negras ficam em desvantagem, com uma taxa de desemprego de 12,1%. O segundo maior índice de desemprego é do grupo das mulheres não negras, com 8,9%. Em seguida, vêm os homens negros, com 7,3%, e os homens não negros, com 5,3%.
O salário também não é o mesmo entre negros e brancos. A média salarial, levando em conta todos os setores de atividade, é de R$ 1.433 na Região Metropolitana. O menor salário é o pago para as mulheres negras: R$ 925. Já as mulheres brancas recebem um salário de R$ 1.418, o que equivale a uma diferença de 35%. Os homens negros recebem, em média, R$ 1.418. Os não negros apuram R$ 2.050, 30,83% mais.
“Historicamente, o desemprego é maior entre o grupo das mulheres. O que esta pesquisa comprova é que ser mulher negra no mercado de trabalho é sinônimo de ganhar pouco”, afirma o coordenador da PED pela Fundação João Pinheiro, Plínio Campos.
A pesquisadora do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioecômicos (Dieese), Gabriele Celani, explica que a principal causa para a disparidade entre negros e não negros está associada a um menor grau de capacitação por parte dos negros.
“Claro que há casos em que uma pessoa exerce a mesma função e acaba recebendo salários menores. Mas acredito que o principal desafio é o de permitir o acesso dos negros ao mercado de trabalho por meio da capacitação para reduzir grande parte dessa diferença”, afirma.
A capacitação é a arma da assistente financeira do Shopping Uai, Alessandra Estrela, de 30 anos, para competir no mercado de trabalho. Ela tem curso superior em radiologia e planeja cursar uma pós-graduação de gestão financeira. “A gente sabe que existe essa diferenciação entre brancos e negros. Então, procuro conquistar o meu espaço me capacitando e estudando sempre”, afirma.
O secretário de Estado de Emprego e Trabalho de Minas Gerais, Carlos Pimenta, considerou “preocupante” o resultado da pesquisa. “Esse levantamento vai servir para planejarmos uma ação para reduzir a diferença entre negros e não negros”, disse.