Flávio Tavares
ouro
Juro da penhora só é maior do que o do crédito consignado

O penhor da Caixa Econômica Federal é, hoje, um péssimo negócio para aqueles que não conseguem recuperar a joia de ouro penhorada. O valor do grama do metal estabelecido pela Caixa, de R$ 65, é quase a metade (57%) da cotação do ouro na BM&FBovespa, que fechou na quarta-feira a R$ 114,80. A última vez que o ouro atingiu esse pico na bolsa foi em outubro de 2008.

Sem acompanhar preços de mercado, o penhor só vale a pena nos casos de certeza da retirada da joia penhorada. Isso porque o juro de 1,5% ao mês do penhor está entre os mais baixos nas operações de crédito. Segundo o gerente regional de Pessoa Física da Caixa em Minas, Marcelo Bomfim, a avaliação dos bens em ouro segue critérios internos.

Desvalorização

De acordo com uma funcionária do penhor de uma agência da Caixa de Belo Horizonte, o banco não acompanha a cotação do ouro para manter “uma margem de segurança” frente as ocilações da bolsa. “A Caixa só muda valores quando as cotações se estabilizam (em novos patamares)”, diz.

Por outro lado, o juro é bastante competitivo. Na própria Caixa, o crédito direto mais barato tem taxa de 1,8%, enquanto a do cheque especial varia de 3,35% a 4,27%.

Segundo um avaliador da CEF, o custo do penhor perde apenas para o empréstimo consignado, que oferece taxas a partir de 0,65% ao mês para beneficiários do INSS.

Risco

Para especialistas, antes de recorrer ao penhor, as pessoas devem considerar o risco de não conseguirem recuperar o bem. “O penhor só é vantajoso para quem sabe usar. Hoje, com a queda dos juros, o crédito consignado é uma boa alternativa”, afirma o professor de Economia da Universidade Fumec, Fernando Nogueira. A professora de Economia da Universidade Newton Paiva, Jane Noronha, reforça o conflito entre razão e emoção. “O penhor traz um risco adicional porque envolve de bens com valores inestimáveis”, afirma.