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Política monetária do Banco Central não vai mudar, diz Mantega
Segundo Mantega, o país registrou uma alta da inflação no primeiro semestre

SÃO PAULO - O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou há pouco que não vê necessidade de mudança na política monetária e nem na autonomia do Banco Central.
Questionado sobre a recomendação da OCDE (Organização para cooperação e desenvolvimento econômico) de que o Brasil precisa seguir aumentando os juros, o ministro disse que "a modelagem do BC é na justa medida" e que "não é necessário alterar a política monetária que está sendo praticada pelo BC".

Segundo Mantega, o país registrou uma alta da inflação no primeiro semestre e o Banco Central adotou as medidas necessárias para reverter esse processo.
'Estamos num aperto monetário. Nossa taxa de juros cresceu nos últimos meses e voltou a ser uma das maiores do mundo".

Para isso, na avaliação do ministro, não é preciso assegurar mandatos fixos para os diretores, outra recomendação do documento. "Não vejo necessidade de alterar o status quo. Quando o time está ganhando você não muda".

Câmbio
Mantega defendeu ainda que o ingresso no país dos dólares referentes ao leilão do campo de Libra não deverá provocar uma enxurrada da moeda estrangeira, a ponto de derrubar a cotação. Segundo ministro, entrarão no país cerca de US$ 4 bilhões equivalente ao bônus da operação. Fixado em R$ 15 bilhões, uma parte deverá ser paga pela Petrobras, que detém cerca de 40% do negócio. Os outros R$ 9 bilhões deverão vir dos parceiros estrangeiros. "O BC saberá regular isso adequadamente".

Política Fiscal
O ministro rebateu ainda outras críticas do relatório referentes à política fiscal e às manobras contábeis usadas pelo governo para cumprir a meta de superavit primário.
 "Nunca houve manobra. Essas transações que saem no Diário Oficial da União são transparentes", afirmou. "Se alguma operação ficou, digamos, pouco entendida, foi difícil entender para os não especialistas, estamos procurando não fazer operações dessa natureza. Estamos aperfeiçoando a nossa gestão".