Má notícia para quem apostava numa redução significativa da desigualdade no Brasil, em razão da continuidade das políticas de inclusão social, adotadas a partir de 2003. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada há dois dias pelo IBGE mostra que os mais ricos (1% da população) avançaram mais em 2012 do que os 10% mais pobres, ao contrário de anos anteriores. Foram analisados na pesquisa fatores como o mercado de trabalho e o acesso à educação, a serviços públicos e a bens duráveis, entre outros. 
 
No ano passado, o rendimento do trabalho de quem está no topo da pirâmide aumentou 10,8%, enquanto o dos 10% mais pobres ficou em 6,6%. Para estes, não houve aumento na participação no total de rendimentos, que se estabilizou em apenas 1,4%. Já para os 1% mais ricos, essa participação subiu de 12%, em 2011, para 12,5% no ano passado. 
 
Quando se considera a renda não apenas dos salários, mas também de alugueis, aposentadorias, transferências de renda e aplicações, a diferença entre os mais ricos e os mais pobres aumentou mais. A elevação da renda, de um ano para outro, foi de apenas 5,1% para os mais pobres e de 12,8% para os mais ricos. Na média da população, houve aumento de 5,6%. 
 
O Índice de Gini, que mede a distribuição de renda no país, ficou em 0,498 no ano passado, um pouco melhor do que em 2011 (0,510). Quanto mais perto de zero esse índice, menor a desigualdade. A única região em que houve piora do índice foi o Nordeste. A concentração de renda aumentou principalmente nessa região, mas teve leve alta também no Sudeste.
 
No entanto, segundo a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, houve apenas desaceleração do processo de redução muito grande da desigualdade no país. Para ela, a desigualdade continua caindo e, “para 2013, vamos ter um salto ainda maior”. Esse otimismo se baseia em programas sociais lançados em meados do ano passado, como o Brasil Carinhoso, cujos resultados não foram captados pelo Pnad 2012. Porém, neste ano, como foi concedido reajuste menor no salário mínimo, é possível que a situação seja ainda pior para os mais pobres.
 
De qualquer forma, a ministra prometeu se debruçar nos dados da pesquisa. Como o que indica que pela primeira vez em 15 anos aumentou o índice das pessoas de 15 anos ou mais consideradas analfabetas.
 
O certo é que há muito a se fazer. Até recentemente, mostravam as pesquisas, o Brasil era um país subdesenvolvido.