As mulheres são as responsáveis pela maior revolução que se assiste hoje neste país e, de resto, no mundo inteiro. É a revolução feminina. Têm mais êxito na economia, ingressando maciçamente no mercado de trabalho, do que na política, embora no Brasil, na Argentina e na Alemanha, por exemplo, elas tenham chegado ao topo do poder Executivo.

Na última sexta-feira, comemorou-se o Dia Internacional da Mulher, instituído oficialmente pela ONU em 1975, para lembrar a morte, há 156 anos, num dia 8 de março, de130 tecelãs de uma fábrica de Nova York. Elas fizeram greve contra a jornada de trabalho de 16 horas por dia, foram trancadas dentro da fábrica e morreram carbonizadas. O incêndio criminoso deveria suprimir o espírito reivindicatório de todas as mulheres, mas não deu certo: elas foram à luta e, progressivamente, conseguiram mudar muita coisa no mundo.

Mais do que lembrar a tragédia de Nova York, a data serve para registrar, a cada ano, as novas conquistas das mulheres e o muito que ainda resta a ser feito em prol de um mundo mais justo.

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, que tal como Dilma Rousseff foi presa e torturada durante a ditadura militar, declarou, ao comemorar a data, que a mulher ainda “tem que ganhar respeito e protagonismo na sociedade brasileira”. A ministra reclamou, sobretudo, dos preconceitos de gênero e do desrespeito dos partidos políticos à lei que estabeleceu percentual mínimo de mulheres nas listas de candidatos. Nas eleições de 2012, entre os eleitos para prefeitos no país, só 12% eram mulheres, embora elas constituam mais de metade da população. E esse percentual, mesmo assim, representa enorme avanço.

Na economia, as mulheres estão progredindo mais. Pesquisa divulgada na sexta-feira, feita pela Serasa Experian, mostrou que aproximadamente 6 milhões de mulheres são sócias de empresas no Brasil. Entre as empreendedoras, quase 31% estão em São Paulo e 11% em Minas, os dois estados nos quais o avanço das mulheres nesse setor é maior. Mas é preciso considerar que apenas 0,39% das empreendedoras brasileiras são sócias de empresas de médio porte e 0,02% de grande porte. Todas as outras estão em micro e pequenas empresas.

A queda da taxa de fecundidade, que libera as mulheres para trabalhar fora de casa, e o aumento de seu nível de instrução, que cresce mais que o dos homens, são fatores que ajudam muito nessa revolução feminina.