Em um dia com seis manifestações, São Luís (MA) parou por causa dos protestos por saúde, educação, transporte urbano e segurança. Estudantes, trabalhadores rurais, indígenas, moradores de bairros mais humildes interditaram avenidas isolaram a ilha, ao bloquear a BR-135, ocupara a sede da Fundação nacional de Saúde (Funasa), entraram em confronto com a tropa de choque da Polícia Militar e apedrejaram um ônibus.

Ao todo, cerca de 6,7 mil pessoas participaram das seis manifestações e a situação segue tensa porque, até o fechamento desta matéria, duas manifestações ainda estavam em andamento. Na zona nobre da cidade, cerca de 3 mil manifestantes, a maioria estudantes de universidades particulares, que se concentraram na frente do shoppings mais antigo da cidade, interditaram a avenida Colares Moreira e seguiram em passeata em direção a Assembleia Legislativa.

A principal bandeira da manifestação, batizado de "Acorda São Luís - Ato 3", é o repudio à corrupção e a PEC 37. A manifestação seguiu pacífica, no entanto, duas pessoas foram presas por portar bombas caseiras e fogos de artifício. A dupla foi denunciada pelos próprios manifestantes.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, cerca de 2,5 mil moradores da Cidade Operária e estudantes da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) protestavam por saúde, educação segurança e transporte público. Esta manifestação foi menos pacífica e até o fechamento desta matéria haviam acontecido tumulto e pelo menos um ônibus havia sido apedrejado.

Confronto

Mais cedo, cerca de 1.200 pessoas haviam participado de quatro manifestações e da ocupação da sede da Funasa. As manifestações começaram ainda cedo, por volta das 5h da manhã, quando moradores da região Itaqui-Bacanga, formada por 56 bairros e onde resiste um terço das pessoas que vivem na capital maranhenses, e do Maracanã interditaram a avenida dos Portugueses, que dá acesso a zona industrial da cidade, e a BR-135, isolando São Luís - que é um ilha - do continente.

Nestas duas manifestações cerca de 400 manifestantes pediam melhorias da infraestrutura de saúde, educação, segurança, transporte público e saneamento básico. Ao contrário das manifestações registradas na semana passada, os manifestantes tem uma pauta de reivindicação e líderes.

De acordo com o líder comunitário Zequinha do Gapara, os moradores da região querem melhorias nas áreas de saúde, educação, transporte público e infraestrutura. "O que a gente quer é alertar as autoridades para o que vem acontecendo aqui na área Itaqui-Bacanga. Sofremos demais. Falta segurança. Isso revolta a comunidade. Todo o Brasil hoje pede segurança, transporte de qualidade e a área Itaqui-Bacanga também quer", explicou.

A BR-135 foi desocupada pacificamente ainda no meio da manhã, porém , na Avenida dos Portugueses, houve confronto com a tropa de choque da PM, que usou balas de borrachas, gás lacrimogêneo e gás de pimenta para dispersar a multidão que chegou a responder com peras e fogos de artifício. O confronto foi em frente a Universidade Federal do maranhão (UFMA) e não houve registro de feridos nem de um lado, nem do outro, apesar da violência do tumulto.

Uma terceira manifestação - com cerca de 500 pessoas, organizada por estudantes - interditou o Anel Viária da capital e percorreu algumas ruas do centro de São Luís. O trânsito ficou conturbado e impediu que os ônibus da capital chegassem aos terminais de integração, o que gerou boatos sobre o recolhimento da frota de coletivos, coisa que não se confirmou.

Índios

Um grupo de 150 índios das etnias Guajajaras, Kanela e Kreié, ocuparam a sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), no bairro da Jordoa, e expulsaram os funcionários que estavam no prédio. Eles reclamavam da falta de assistência aos índios, bem como apontam um número crescente de mortes entre eles.

Além das manifestações registradas na capital maranhense nesta segunda-feira (24) já estão sendo articuladas pelas redes sociais outras duas manifestações uma para a terça-feira, 25, e outras para a quarta-feira, 26. No interior, estão sendo articulados protestos em pelo menos seis cidades: Bacabal, Itapecuru-mirim, Bacabeira, Codó, Caxias e Imperatriz.

O comércio e escolas, universidades e órgãos públicos continuam liberando funcionários e alunos depois que o protesto pacífico do último sábado, 22, terminou em confronto com a polícia e um saldo de 19 presos, oito feridos - entre manifestantes, policiais e jornalistas - três agências bancárias, o prédio da Secretaria Municipal de Turismo e a sede de uma emissora de TV (a TV Mirante, afiliada a rede Globo) depredadas.