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Há tensão: Show de Paul McCartney em BH pode ser reduzido
Paul McCartney se apresenta na capital mineira no dia 4 de maio

Os fãs que vão assistir ao show de Paul McCartney em BH podem ter uma surpresa nada agradável. Isso porque as apresentações que acontecem no Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, não podem passar da meia-noite. O Axé Brasil taí pra contar história... Apesar do grande número de atrações, o festival precisou encurtar um dos shows e foi encerrado à 0h15 do dia 12 de abril.

E o eterno Beatle, para quem não sabe, faz um concerto de mais de 3 horas de duração. E como ele só sobe no palco às 21h30...

A assessoria de imprensa do Minas Arena garante que o show do músico não pode virar do dia 4 para o dia 5. O motivo? Um acordo firmado entre a Associação dos Moradores dos bairros São Luís e São José* (Pro-Civitas) com o consórcio responsável pela a administração do Mineirão. "Mas não descarto que possa ter ocorrido um 'acordo de cavalheiros', para que o show seja apresentado na íntegra", afirmou a assessora.

Um "acordo de cavalheiros" realmente poderia ter sido feito, afinal, até mesmo o Cruzeiro abriu mão de utilizar o campo no dia 5 de maio, remanejando o jogo contra o Villa Nova para o dia 8. E tem mais: desde 2008 Belo Horizonte tentava trazer Paul McCartney para uma apresentação.
 
No entanto, ainda não há acordo algum. A assessoria da Partnersnet, que fornece as informações do evento, até a última terça-feira (23) desconhecia a informação. Também garantiu que o show vai, sim, passar da meia-noite. "Desconhecemos esta questão. O show não foi reduzido e não será encerrado antes do previsto", garantiu Luciana Mayer.

Contactada novamente na quinta-feira (25), a Partnersnet ainda não tinha uma resposta sobre a questão. O show, como afirmou o Minas Arena, não será encerrado à força antes da meia-noite. Contudo, caso a apresentação invada o dia 5, a organizadora do evento poderá receber uma multa altíssima (o valor não foi informado). Até esta sexta-feira (26), nada havia sido resolvido. "Ainda estamos tentando um acordo, mas nada foi definido", afirmou Luciana.

O Axé Brasil

O Hoje em Dia conversou com o Reinaldo Neves, sócio-diretor da DM Produções, que explicou o que aconteceu no Axé Brasil.

Como duas bandas atrasaram para entrar, a apresentação do grupo Psirico, que encerraria o primeiro dia do evento, contou com apenas duas músicas. A atração precisou ser remanejada para o dia seguinte. A produtora do evento conseguiu 15 minutinhos extras, passando da meia-noite.

"Desde que começamos a negociar o Axé Brasil com o Minas Arena tivemos uma grande preocupação com horários. No primeiro dia, houve problemas técnicos e o horário ultrapassaria os 15 minutos que tínhamos de limite. Em respeito à questão contratual, decidimos encerrar o evento antes que o show chegasse ao fim. Afinal, também havia acordos com a polícia, o Corpo de Bombeiros, Juizado de Menores...", disse.

Se ultrapassasse o horário estipulado, uma multa, bem salgadinha, seria aplicada na DM. "Existe uma multa contratual, mas nossa principal preocupação é uma questão de continuidade do nosso trabalho. Não foi a primeira vez que fizemos um evento no Mineirão e não queremos que seja a última", ponderou.

"A multa não é barata, mas não posso revelar o valor por sigilo contratual. Mas é pesada e grande. A multa não é só sobre o horário, mas por várias questões contratuais".

"Creio que é preciso sentar e tentar chegar a um acordo. Se a regra já foi estabelecida antes, a empresa não está indo sem saber disso. Afinal, já aconteceu com a gente antes", finalizou Reinaldo Neves, falando sobre o show de McCartney.

E aí, José?

Para evitar arcar com o valor, o Axé encerrou um show. Será que o de Sir Paul McCartney será encurtado ou adiantado, para que possa cumprir o horário? Se for adiantado, a produtora poderá enfrentar problemas com o Procon (porque já está tudo marcadinho e tal...). Se passar da meia-noite, sem o acordo, será necessário lidar com a altíssima multa. E se um acordo for feito, o Minas Arena terá que abrir concessão para outros eventos musicais. Tudo é conversado...

Elton John e as 12 badaladas

O Hoje em Dia também conversou com o produtor Aluizer Malab, da Malab Produções, para entender alguns detalhes sobre os dados contratuais do show que Elton John realizou na capital mineira, no Mineirão. A apresentação foi encerrada à meia-noite em ponto e não enfrentou nenhum tipo de problema com o consórcio gestor.

"Por força de contrato, fizemos tudo o que estava acertado. Desde a montagem, desmontagem, entrega do estádio... Cumprimos, no show do Elton John, o acordo nos conformes", afirmou o produtor, que não soube precisar o valor da multa que seria aplicada caso a apresentação invadisse a madrugada.

Questionado sobre o show de Paul McCartney, Malab respondeu como cidadão e fã do astro: "Acredito que cada caso deve ser discutido. É um evento excepcional. É saudável se conversar sobre isso. Se está marcado para começar às 21h30, pode extrapolar meia hora... É um caso diferente. A cidade fica muito travada nesse sentido, que envolve eventos. Se os Rolling Stones fazem um show para 1,5 milhão de pessoas em Copacabana, é claro que vai ter problema. Mas um sacrifício eventual vale a pena", disse.

"O Jota Quest, para conseguir gravar um DVD na praça do Papa, quase perdeu a oportunidade de fazer o trabalho em sua cidade natal. Eles iam para Porto Alegre por causa dessas regras (de utilização do espaço público)".

"Temos que ter maturidade e racionalidade para aceitar exceções. Me incomoda essa coisa de que 'não tem conversa'. A intransigência soa mal pra mim. Existem as regras, mas temos que conversar, ter jogo de cintura. A associação de moradores se torna soberana em questões sobre a cidade, como se a cidade fosse apenas uma região. A cidade é muito maior do que isso. As pessoas precisam pensar menos no umbigo", concluiu.



* O Hoje em Dia tentou contato com a Associação dos Moradores dos bairros São Luís e São José durante a toda a tarde desta sexta-feira, mas não obteve resposta.

 

 

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