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Rainha das lanchonetes, coxinha é obrigatória
Há correntes que defendem que a coxinha de frango teria surgido na corte de Dom Pedro II

Se me perguntarem qual é a lembrança mais vívida de minha infância, não hesitaria em responder que são os lanches que fazia com minha mãe na saudosa Doce Docê do shopping (naquela época, só existia um shopping em BH), onde devorava uma gigantesca coxinha de frango. Trinta anos depois, ela continua sendo meu salgado preferido e de muita gente também.

Campeã de vendas em qualquer padaria e lanchonete, a coxinha é um item indispensável no balcão. A origem do salgado é defendida por diversas correntes. Há quem jure que ela surgiu no início do século XIX, como derivação de salgados franceses. Outros afirmam ela foi criada por escravos, assim como a feijoada, feita com sobras de ingredientes da "casa grande".

Outra teoria é de que ela teria surgido no período da industrialização de São Paulo, como opção de maior durabilidade às coxas fritas vendidas nas portas das fábricas. Há também a lenda de que o salgado teria nascido na corte de Dom Pedro II, para satisfazer as vontades de um neto do imperador, que só comia coxa. E na falta do naco original, a cozinheira teria moldado várias coxas com frango desfiado e massa.

Bom, se a origem é um mistério, o que se sabe é que a coxinha está nas prateleiras há mais de um século e se mantém fiel à receita original. Mas, hoje, é possível encontrar diversas derivações. A mais popular é a coxinha com catupiry (na maioria dos casos, é requeijão cremoso mesmo). Há opções com queijo cheddar e até camarão no lugar do frango. Os preços variam entre R$ 3 e R$ 6, dependendo do estabelecimento e do tipo de ingrediente utilizado na receita.

Para aqueles que não se contentam com a receita original, algumas casas especializadas oferecem mais de 40 opções de coxinhas, como a paulistana Santa Coxinha, que inclui no cardápio opções com recheio de estrogonofe, salmão, calabresa, berinjela, bacalhau, costelinha, dentre outras, assim como a opção de massa de mandioca.

Em qualquer praça

Salgadeira há 18 anos, Lucilene Dias é responsável pela confeitaria de uma padaria de luxo e garante que a coxinha não dá vez a salgados mais refinados. "A coxinha é imbatível. Temos uma grande variedade de salgados, como quiches, assim como variações com diversos tipos de ingredientes, mas a coxinha é sempre a mais procurada, tanto em lanchonetes em localidades mais pobres como em estabelecimentos em bairros nobres. A criançada adora", explica a salgadeira, que conta um segredo: "Gosto de colocar creme de leite na massa e no recheio para que ela não fique ressecada".

Quem também atesta a soberania da coxinha é a balconista Rita de Cássia Brito, que trabalha em um lanchonete movimentada na região central de Belo Horizonte. Com mais de 15 variedades de salgados, a coxinha de frango corresponde a mais de 20% das vendas diárias. "São pelo menos 100 coxinhas por dia e, quando acaba, não adianta oferecer outra opção, o cliente prefere ir embora", conta Rita, que conhece a preferência de alguns clientes cativos.

Mas como tudo que é gostoso tem seu preço, a coxinha de frango é uma verdadeira bomba calórica. Uma unidade de 100 gramas tem aproximadamente 280 calorias, que corresponde a mais de 14% da dieta diária de um adulto. Sem contar que 45% dela é composta de carboidratos e gorduras.