Sinônimo de filmes de animação de qualidade, a Pixar já estava virando um clube do Bolinha ao privilegiar personagens masculinos. No céu (“Wall-E”), na terra (“Carros”) ou no mar (“Procurando Nemo”), os protagonistas eram invariavelmente desse sexo, deixando as mulheres como mero interesse romântico ou com participação secundária.

Antes que as feministas de plantão dessem falta, o estúdio põe em cena Merida, protagonista de “Valente”, com pré-estreia a partir desta sexta-feira (13) nos cinemas.

Ela tem sangue azul como Branca de Neve e Cinderela, mas não se deixe enganar. Apesar de ter demorado 25 anos, desde a sua criação, a Pixar tratou logo de oferecer um tipo de mulher mais adequado com os nossos tempos.

Não é por acaso que o tema principal de “Valente” é a quebra de tradições machistas que obrigam a princesa a se casar com um pretendente que não é de sua vontade.

Seguindo a onda feminista do cinema atual, que vê nos contos de fadas antigos a defesa de uma mulher submissa e dependente do príncipe encantado para protegê-la, a Pixar vai na contramão desse estereótipo.

Tanto é assim que Merida não altera em nada seus pensamentos “modernos” sobre protocolos reais. Embora seja pivô de um grave problema familiar, é a sua mãe de formação conservadora quem muda de perspectiva.

A mensagem final ressalta que cada um pode ser dono de seu destino, bastando encontrar a força necessária dentro de si.
Para ser coerente com essa proposta, quem dirige o filme é Brenda Chapman, primeira mulher a assinar uma produção da Pixar. Ela também foi a primeira a dirigir uma animação de grande estúdio, “O Príncipe do Egito”, lançado em 1998.

Assista ao trailer: