Saga do bandido Luis Garcia leva Pains para as telonas

Paulo Henrique Silva - Do Hoje em Dia
12/07/2012 às 13:02.
Atualizado em 21/11/2021 às 23:31
 (Produtora Cavideo/Divulgação)

(Produtora Cavideo/Divulgação)

Difícil dizer quem era mais cruel, Lampião ou Luis Garcia. Enquanto o primeiro entrou para a história com seu bando de cangaceiros, deixando um rastro de assassinatos em sete estados do Nordeste, o segundo fez fama no Centro-Oeste mineiro com uma folha corrida muito parecida.

Ambos atuaram praticamente na mesma época, no início do século 20, mas quem resistiu ao tempo e imprimiu seu nome nos livros foi Lampião, que passou a ser considerado o maior bandido de todos os tempos no país.

A trajetória do temível Garcia está sendo resgatada agora, com a produção do longa-metragem “Faroeste”, dirigido por Abelardo de Carvalho.

Cidade mobilizada

As filmagens foram encerradas há duas semanas, na cidade de Pains, distante 207 quilômetros de Belo Horizonte, e tiveram total apoio da população, que, apesar do triste passado do criminoso, não mediu esforços para ver um pedaço de sua história levada para a tela grande no formato de um movimentado faroeste, gênero de pouca tradição na cinematografia brasileira.

“A cidade virou um grande set de filmagem, praticamente vivendo em função do filme por algumas semanas”, observa o produtor Cavi Borges.

Para ele, o que era para ser uma complexa produção de época, realizada com apenas R$ 50 mil, acabou sendo facilitada pelo envolvimento da comunidade. Ele cita uma cena de procissão com 300 figurantes, a maioria mulheres de terceira idade, que costuraram sua própria roupa. “Foi uma experiência nova para a gente. Algo que nunca tínhamos visto acontecer no cinema”, destaca.

Mudanças de horário de gravação eram comunicadas pela rádio local e até mesmo uma fábrica de velas se engajou na produção, colaborando na iluminação de lugares onde não havia eletricidade, principalmente em fazendas e matas. “Se fôssemos alugar geradores, ficaria caríssimo, mas valeu a pena. O fabricante juntou seis velas numa espécie de luminária, para dar maior potência. O resultado acabou ficando mais bonito que a iluminação normal”, ressalta Borges. Foram consumidas cerca de 200 velas por dia.

Diretor e parente

Nascido em Iguatama, cidade próxima de Pains, Abelardo Carvalho se baseou em dois capítulos de seu livro “Bestiário”, lançado de forma independente em 2002, sobre fatos ocorridos na região. Ele começou a pesquisar a trajetória de Garcia há 25 anos, com a ideia do filme tomando corpo após sua mudança para o Rio de Janeiro.

“Quando você se distancia, passa a enxergar as coisas de outra forma”, avalia o diretor, que tem o sangue de seu protagonista nas veias – seu avô era primo do bandido.

“É um personagem que já estava pronto, com começo, meio e fim. Rico de nuances, Garcia era muito coerente dentro da loucura dele, explorando, por exemplo, seu anticatolicismo com muita propriedade”, analisa.

Pelas lentes de Abelardo Carvalho, Luís Garcia deixou de ser um vilão com V maiúsculo para ser um anti-herói, com muita liberdade histórica. Por muito pouco, o filme não foi rodado no Nordeste. “Fiquei angustiado com essa possibilidade. Não queria que ele virasse um cangaceiro”, revela o diretor.

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