Lirinha, ex integrante do “Cordel do Fogo Encantado”, desembarca neste sábado (7) em Belo Horizonte com seu projeto solo. Com um som bem diferente do que os fãs estavam acostumados, que contava com a percussão como base, o disco de trabalho do artista, "LIRA", conta com mais guitarras, teclados e sintetizadores.

O show do músico pernambucano, que já arrebatou plateias com as apresentações musicais/teatrais de sua antiga banda e com suas belas declamações de poemas, acontece no Granfinos, a partir de meia-noite. E ele promete que não leva só o projeto novo para o palco, não. “Faço três músicas do Cordel, uma releitura com essa formação que me acompanha agora. E também toco uma música inédita, “Lágrimas Pretas”, gravada com o “3 na Massa”.

Confira a entrevista que o Portal HD fez com o artista:

Como foi abandonar um projeto criado por você, e que deu tão certo, para seguir carreira solo?

Foi uma transição muito difícil. Tomar a decisão de sair da banda que fundei, criei o projeto e convidei os músicos... E essa saída não foi por desentendimento, mas por uma questão de estética musical, o que tornou a ação ainda mais difícil para mim. Mas, em resumo, posso dizer que nesses 14 anos a frente dos trabalhos como compositor e vocalista, senti, em determinado momento, que cumpri uma função musical e poética... e eu tinha desejo de recomeçar, seguir um novo caminho ligado à música. Queria mudar minhas habilidades harmônicas. O 'Cordel' era muito teatral e eu tinha vontade de começar a elaborar algo novo.

E estou muito feliz com esse novo projeto. Este era o disco dos meus sonhos, era a música que eu queria muito fazer. Senti que tudo aconteceu muito próximo do que imaginei.

Já há um ano na estrada divulgando seu último disco, como você tem notado a recepção do público?

É trabalhoso, porque é um recomeço. Estou me reapresentando. É um processo com o público, que, a princípio, reage com estranhamento, mas logo se envolve.

E é muito diferente ser solo?

Tem uma diferença muito grande. A solidão nas decisões, a solidão na maior parte do caminho. Mas, ao mesmo tempo, ser responsável por suas ilusões e desilusões... é algo muito bom. E estou levando isso. É uma coisa que me dá certa sensação de isolamento, mas, ao mesmo tempo, me sinto incrível e completo tanto na minha poesia quanto na minha música.

É perceptível a ruptura estética entre seu trabalho no Cordel e sua carreira solo. O que tem te inspirado neste novo momento da sua carreira?

É difícil trazer as pessoas para essa sensação, mas sinto esse trabalho como uma continuidade do que eu vinha desenvolvendo no “Cordel”. O que mais radicalmente mudou foram as sonoridades. Eu queria aumentar as possibilidades harmônicas. No “Cordel”, foram três discos com a base feita de percussão. Basicamente, a ruptura foi essa... ampliei os recursos, fiz um disco com guitarras, teclados, sintetizadores, piano, participações especiais.

Após a saída do “Cordel”, eu queria fazer música com outros materiais, então, não faria sentido continuar fazendo o mesmo som com outros companheiros. Mas sinto uma forte continuidade, uma forte ligação com o trabalho que fazia. No entanto, as letras, agora, estão mais pessoais. Escrevo sobre minhas visões de mundo, na primeira pessoa. No Cordel, eu era porta-voz de outras cinco pessoas, e escrevia na terceira pessoa.

É a primeira vez que você apresenta o “LIRA” em Belo Horizonte. Quais são suas expectativas para o show?

Belo Horizonte é um lugar muito importante para mim e muito especial neste momento. A cidade acompanhou todos os meus espetáculos, todas as minhas criações musicais. Desde a origem, antes do primeiro disco, o público já estava lá. E logo que saí do “Cordel”, quando passei um tempo na “caverna”, tempo de produção deste disco, Otto me convidou para fazer umas apresentações com ele, e fiz um show em BH. E foi muito bom. Tenho esse sincronismo com a cidade, além da influência musical e literária que o estado tem no meu trabalho.

E vai rolar declamação de poema?

Mantenho no repertório porque é a minha base, foi minha escola primeira. Antes de qualquer atividade artística eu recitava poesia em festivais de violeiros. Comecei nessa profissão adolescente e foi onde criei todas as minhas ideias de música. Fui muito influenciado por essa cultura e andava pelo país recitando. Considero uma raiz minha que nunca vou abandonar. Esses elementos continuam forte. Declamo, canto e grito poesias neste novo show.
 

Lirinha, que continua viajando com a mesma equipe técnica do “Cordel”, afirma que o espetáculo de luzes continua com os mesmos elementos. Não dá para perder, não é mesmo?

Escute "Ah, se não fosse o amor", composta pelo mineiro Dan Maia:
 



Serviço
Abertura da casa: 22 horas
Horário do show:meia-noite
Granfinos: Avenida Brasil, 326, Santa Efigênia
Ingressos: Primeiro Lote R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) / Segundo Lote: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia) - Lista amiga: R$ 30 (cadastre-se até às 18 horas de sábado (7), neste link).
Postos de venda:
Venda online: sympla.com.br/granfinos
Granfinos: De segunda a sexta, de 14 às 19 horas

*O resultado da promoção sai na tarde de sexta-feira (6).