Os 56 anos do Madrigal Renascentista serão marcados com o lançamento do álbum “Sacra Música Brasileira” – o oitavo do grupo – e do livro “Madrigal Renascentista”, escrito pelo jornalista Manoel Hygino, em uma celebração restrita a convidados, nesta sexta-feira (26), na Fundação de Educação Artística. No próximo mês, o grupo se apresenta na Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, em data ainda não definida.

“O ‘Sacra Música Brasileira’ apresenta um retrato dos últimos 200 anos de composições nacionais, desde o período colonial até a atualidade. Percebemos que as canções sacras no país têm lacunas a serem preenchidas e, como é um repertório muito rico, acredito que a importância desse disco no contexto nacional é bem grande”, diz o maestro Marco Antônio Maia Drumond, que rege o Madrigal desde 1986.

O CD traz obras de Manoel Dias de Oliveira, Padre José Maurício Nunes Garcia, Heitor Villa-Lobos, Lindembergue Cardoso e o Salmo 150 de Ernani Aguiar, o único compositor vivo entre os selecionados.

Na avaliação do maestro, o Padre José Maurício Nunes foi um dos maiores compositores que o Brasil teve. Para o CD foram escolhidos o Kyrie, da Missa de Réquiem (adaptação a capella de Villa-Lobos), Gradual para Domingo de Ramos, Felle Potus e Judas Mercator Pessimus, além da Crux Fidelis de Presciliano Silva.

Livro

O Madrigal Renascentista tem toda sua história contada no livro, homônimo do grupo. Segundo o autor, a obra vai além do registro histórico da carreira do conjunto, uma vez que conta a história musical de Minas e insere também o Madrigal no contexto da música contemporânea.

O livro é resultado de um ano de trabalho. “Conto os primeiros concertos, as turnês nacionais e internacionais. Histórias curiosas, como os bastidores da apresentação do grupo na inauguração de Brasília, a convite do presidente Juscelino Kubitschek, um grande admirador do grupo; e a turnê pela Europa, em 1977”, destaca Manoel Hygino, também articulista do Hoje em Dia.

Pioneiro

Marco Antônio diz que o Madrigal foi o primeiro no Brasil a estudar e executar a música produzida antes do século 18, interpretando significativas obras do Renascimento. Até então, os corais brasileiros praticamente só se dedicavam ao repertório romântico, com ênfase na ópera. “Eu, que não sou um religioso, confesso que a música sacra me emociona”, diz.