Tá com dor de cotovelo, acredita no amor perfeito, mas quer esquecer as mágoas mais doídas durante um churrasco no sítio? Então é melhor contar com a forcinha de uma trilha sonora apropriada. Sugestão: “Pecado de Amor” (Sony Music), novo disco do cantor Eduardo Costa.

É o décimo CD da carreira desse belo-horizontino, que disputa o topo da lista dos sertanejos que mais vendem discos e fazem shows no Brasil.

Aos 32 anos, Eduardo Costa divide a atenção dos fãs do gênero com nomes como a também mineira Paula Fernandes que, conforme ele, está em primeiro lugar nas vendagens, e algumas duplas pertencentes ao chamado “sertanejo universitário”. Diga-se de passagem, vertente que não agrada nem um tiquinho o gosto de Costa.

“Como um cara consegue conquistar uma mulher com tchererês e chamando ela de cachorra, de cadela? Não tenho nada contra artista algum, mas a mulher que tiver um pouco de cultura não cai nisso”, cutuca. E é para mostrar o outro lado da moeda desse discurso que o cantor construiu o repertório do novo CD.

Em 16 faixas, Eduardo Costa interpreta as dores daquele tipo de homem que cai aos pés da amada, tal como um “menino abandonado/ e sem destino/ caminhando por aí pensando em nós dois”, da faixa de abertura “Vida sem Alma”. “Canto o sertanejo romântico. Gosto de falar de amor, de sentimento. As letras do sertanejo universitário estão mais para funk”, critica, sem dó.

O disco também tem participação do cantor Alexandre Pires, em “Presente de Aniversário”.

Entre os exemplos de como um homem apaixonado se porta diante de uma mulher está “Anjo Protetor”. Na letra, ele pede: “Vem me buscar/ vem salvar meu coração”. Mas, em vez de cair na balada para descontar a indiferença do alvo da sua paixão, ele admite: “Fujo dos amigos, tento me esconder/ Gosto deles, mas amo você”.

Em “Eu Quero te Dizer que Sim”, o cantor exalta o valor de um “sim”, “na beira do altar” (ainda hoje, não adianta negar, um dos maiores desejos femininos).

Reviravolta

Repetindo a história de vida de outros tantos sertanejos, Eduardo Costa, nascido Edson Vander Costa Batista, morou na roça, em Abre Campo, na Zona da Mata mineira. “A casa era iluminada com lamparina”, lembra.

Aos 12 anos, chegou à Região Metropolitana de Belo Horizonte e, nesse período, trabalhou em floricultura, na Ceasa, em sacolão e como vendedor de picolé. Paralelamente, tocava violão em barzinhos, até lançar o CD independente que caiu nas graças de “pirateiros” (tão mal vistos pelas gravadoras) e, então, conheceu a fama.

Hoje, com mais de 2 milhões de discos vendidos, sacolão e floricultura só mesmo como cliente. “Moro em Escarpas do Lago (município de Capitólio). Meu avião desce na porta de casa. Aqui, crio galinhas, porcos e cavalos”, conta o cantor, para quem pecado mesmo, “é não saber amar”.