RIO DE JANEIRO – As Forças Armadas iniciaram na manhã desta segunda-feira (1º) uma série de operações em comunidades do Rio de Janeiro, visando ao primeiro turno das eleições municipais, no próximo domingo (7). A primeira favela que recebeu a ação do Exército foi Gardênia Azul, na zona oeste da cidade, controlada por uma milícia.

Na parte da tarde, o Exército ocupou as ruas da favela do Muquiço, também na zona oeste da cidade, e a Marinha entrou na favela Fogo Cruzado, no Complexo da Maré, na zona norte da cidade. Vinte e oito favelas da cidade do Rio receberão ações do Exército de hoje até sábado (6), a pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).

No dia da eleição, os militares vão patrulhar áreas das cidades de São Gonçalo, Cabo Frio, Itaboraí, Campos, Magé, Rio das Ostras e Macaé.

Segundo o presidente do TRE-RJ, Luiz Zveiter, o objetivo é dar segurança aos eleitores, além de reprimir irregularidades na campanha eleitoral. “Nós vamos coibir propaganda irregular e qualquer outro tipo de delito previsto no Código Eleitoral. Além do Exército, vamos contar com 80 homens [fiscais do TRE] e juízes”, disse.

A previsão é que a operação dure um dia em cada comunidade. A partir de terça-feira (2), a operação vai ocorrer em cinco comunidades diferentes por dia. Entre as comunidades que receberão ações dos militares estão outras favelas do Complexo da Maré, a Vila Vintém, Coreia e Vila Kennedy (as três em Bangu), Rio das Pedras (em Jacarepaguá) e Antares (em Santa Cruz).

O motorista Carlos Leite, morador de Gardênia Azul, acredita que o Exército dá mais segurança ao eleitor. “Na Gardênia Azul, ainda existem currais eleitorais. Com a presença das Forças Armadas, a gente vai se sentir mais seguro para se locomover e votar”, disse.

No início da tarde, a entrada das tropas na Favela do Muquiço foi tranquila, sem confronto com a quadrilha armada que controla o local. Militares armados com fuzis entraram com o apoio de carros blindados e se posicionaram em pontos estratégicos. Na favela, a reportagem da Agência Brasil presenciou a circulação de carros de som de três candidatos a vereador diferentes. Nas casas, foram vistas placas de pelo menos 13 candidatos diferentes.

Sem troca de tiros, a rotina dos moradores pareceu não ter sido alterada, com crianças brincando nas ruas e as portas do comércio abertas. A jovem Luana de Jesus caminhava com a filha pelas ruas do Muquiço e estranhou a presença dos militares. “É estranho, porque nunca vi isso por aqui. Mas acho que dá mais segurança para o eleitor, sim”, disse.