SETE LAGOAS – Quando, no dia 21 de novembro de 2003, o pequeno Federico Esmoris nasceu, o histórico Maracanazo já havia se tornado um quadro empoeirado no imaginário uruguaio. Para Federico, a vitória do Uruguai, por 2 a 1, sobre a Seleção Brasileira, no Maracanã, que deu à Celeste o título da Copa de 1950, é motivo de orgulho, mas continua um filme velho, em preto e branco, de poucas cenas. Na tarde da última terça-feira (10), no entanto, um novo capítulo dessa relação surgiu na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas.

Federico, o pai dele, Nicolaz Esmoris, e um grupo de amigos deixou o Uruguai de carro para percorrer o Brasil seguindo os passos da equipe que promete calar mais uma vez o palco mais sagrado do futebol brasileiro. “É um sonho ver a seleção de perto. Esta é a viagem mais importante da minha vida”, diz o tímido garoto de 10 anos.

Enquanto a seleção uruguaia treinava no gramado, Federico não se esquecia de que ainda é uma criança. E foi assim, entre uma brincadeira e outra, que ele encontrou o sete-lagoano Nathan Mazieiro de Oliveira, de 8 anos, nas arquibancadas da Arena.

Sendo crianças, os diferentes idiomas não foram empecilho para que uma nova amizade surgisse, e até uma certa cumplicidade quando o assunto voltou a ser o futebol. “Agora que estou vendo todos esses astros de perto, não sei mais se vou torcer só pelo Brasil. O Forlán é o meu preferido, queria que ele tivesse vindo para o Atlético”, confessa Nathan.

Torcida

Boa parte das arquibancadas da Arena do Jacaré ficou lotada para acompanhar o primeiro treino do Uruguai. Camisas dos clubes mineiros, da Seleção e da Celeste dividiam espaço nas arquibancadas. A torcida fazia festa a cada gol.

Só no fim da atividade é que o patriotismo falou mais alto, e os torcedores começaram os cânticos de apoio ao Brasil. Nada que interferisse no bom humor dos uruguaios, que foram ao encontro da torcida distribuir bolas e autógrafos. A Celeste parece mesmo ter encontrado uma nova casa em Sete Lagoas.

Atenções voltadas para o astro Luis Suárez

O técnico Óscar Tabárez conta com 23 jogadores para levar o Uruguai ao fim de um jejum de 64 anos na Copa do Mundo. Mas, na primeira entrevista coletiva no Brasil, os jornalistas só queriam saber de Luis Suárez.
O atacante do Liverpool, maior estrela do combinado uruguaio, dificilmente entrará em campo diante da Costa Rica, no sábado. Mas as perguntas eram quase todas sobre ele.

“Nunca estabelecemos prazos para sua recuperação. O trabalho está sendo realizado dia a dia. Claro que sonhamos em tê-lo em campo o mais rápido possível, mas precisamos levar em conta a realidade e não os sonhos”, diz o treinador.
Suárez voltou a treinar à parte na última terça-feira (10). Enquanto os companheiros faziam atividades físicas, Luisito treinava finalizações em um dos gols da Arena do Jacaré.

Quando o coletivo começou, Suárez continuou trabalhando sozinho, correndo em volta do campo. O atacante do Liverpool passou por uma astroscopia no joelho esquerdo há duas semanas e segue em recuperação.

O Uruguai estreia contra a Costa Rica no Castelão, em Fortaleza.