Salzburg (Áustria) - A eletrônica mudou tudo: hoje, um sedã espaçoso e confortável para a família pode ter uma usina de força sob o capô e chegar a 100 km/h em menos de cinco segundos. Durante muito tempo, apaixonado por automóvel afim de um carro “bravo” levava para a garage um cupê de duas portas, suspensão dura, desconfortável, dois lugares fictícios atrás e um ridículo porta-malas. Na outra vaga da garage, o carro para levar a família, um manso sedã confortável, bem comportado, e... sem qualquer tempero.

Hoje, tem sedã com pinta de familiar com cerca de 500 cv sob o capô, que o marido leva à pista num “track day” ou às compras com a esposa no dia seguinte. Assim é o Audi S6 que dirigi na Europa. Não parece, mas é só ligar o motor para se revelar um capeta em forma de automóvel. Nas estradas alemãs, o único limite é o eletrônico, que corta a injeção aos 250 por hora. Não fosse isso...

“Fera”

A fera é tracionada por um V-8 de quatro litros, duas turbinas, 450 cv e torque de 56 kgfm Aliás, torque em abundância antes mesmo do ponteiro chegar às 2.000 rpm. Toda essa cavalaria passa por uma caixa de dupla embreagem com sete marchas e chega ao sistema permanente de tração nas quatro rodas que pode ter, opcionalmente, um diferencial esportivo (de ação limitada).

Zero a 100? Crava 4,6 segundos, “ali” com outros dois “foguetes” alemães: AMG E-63 e BMW M5 que marcam 4,3 seg. O consumo impressiona também, pois roda cerca de 10 km por litro. Contribui o sistema “cylinders on demand” que desliga quatro cilindros quando os sensores percebem serem dispensáveis. Mas, quem nada percebe é o motorista, pois a modificação do som do motor é compensada por uma emissão sonora pelo sistema de áudio do carro. E o corte do motor pela metade provocaria uma pequena vibração não fossem seus suportes hidráulicos ajustados automaticamente.

E no temporal?

Num trecho de estrada (entre sul da Áustria e norte da Itália) onde caía um senhor temporal, assustei ao perceber que ultrapassava vários outros automóveis até me lembrar de que o S6 era o único por ali com tração nas quatro rodas: um show de segurança no piso molhado.

Cardápio no painel

O carro permite vários ajustes de comportamento e a suspensão tem um componente pneumático que chega a abaixar o automóvel em até 10 mm. Dispensável comentar todo o aparato eletrônico de segurança, o nível interno de silêncio, o conforto e espaço inclusive no banco traseiro, no vasto porta-malas e os cuidados de acabamento. 

Tranquinhos...

Ponto negativo? A tração integral protesta em algumas manobras em baixa velocidade com tranquinhos nas rodas traseiras. Que, segundo a Audi, são absolutamente normais. Mas incomodam...

Quanto?

O Audi S6 ainda não chegou ao nosso mercado, mas seu preço de tabela já foi estabelecido em R$ 440 mil e a filial brasileira já aceita encomendas.

No Brasil, ele já pode ser comprado por R$ 440 mil