Mais potência, estabilidade e mimos do que você poderia precisar, além de um meio de transporte, o Cinquecento Abarth é diversão, auto-estima e prazer. Ao abrir o semáforo parece que os outros se esqueceram de arrancar. Na estrada chega a ser perigoso, inspira confiança demais nas ultrapassagens. Muito estável, quase não se inclina nas curvas e os pneus parecem colados no chão.
 
Para quem não sabe, o nome Abarth vem de uma empresa preparadora de veículos para corridas, que em 1971 foi comprada pela Fiat e se tornou um departamento de desenvolvimento de versões esportivas desse fabricante.
 
Mas, tanta estabilidade não seria de graça, ele pula como um cabrito. Se tiver problemas nos rins peça autorização ao médico. Pequeno, assento envolvente e comandos à mão, ao volante é como o pilotar um kart. Também há bastante espaço para o carona, mas na traseira... entrar e sair são “partos”, mas o pior são os joelhos espremidos e a cabeça prensada no teto. Atrás, no máximo duas crianças, já que ele comporta apenas quatro ocupantes.
 
Com a desculpa de que um esportivo deve ser limpo e sem frescuras, o interior tem plástico demais. Os bancos dianteiros com regulagem de altura, ficam devendo ajuste milimétrico do encosto. Comandos à mão, inclusive os das janelas dianteiras no console central, que ficam mais na linha de visão do motorista que na porta. Instrumentos completos, com boa visualização, exceto o medidor da pressão do turbo sob o volante.
 
Estilo
 
Os adereços esportivos, suspensão rebaixada, rodas grandes e descarga dupla mandam super bem. A traseira não é “lá essas coisas”, mesmo mantendo o estilo retrô o desenho poderia ser revisto. Da frente não gostei, o “puxadinho” que fizeram no pára-choques para caber o motorzão não ficou legal, deveriam ter adequado também o capô e os pára-lamas. Por ser pequeno ele cabe em qualquer vaga, na garagem do seu prédio, shoppings, estacionamentos ou na rua.
 
Ele custa salgados 79.300,00, mas como o concorrente inglês, o Mini Cooper, custa muito mais caro, acaba não sendo tão ruim. Sem tanta diversão e exclusividade, com esse valor, dá para colocar na garagem boas opções de veículos maiores. 
 
Abarth: o Escorpião italo-austríaco
 
Cintos dianteiros com pretensionadores para firmar o corpo em acidentes e limitadores de carga para evitar lesões. Sete airbags: dois frontais, dois laterais inferiores, dois laterais na altura dos vidros e um para o joelho do motorista. Sem falar em siglas como “ESS, TCS e TTC”, saiba que ele traz controles eletrônicos de frenagem, tração e estabilidade. Esse último pode ser desligado para quem gosta de maior controle sobre a máquina. O Abarth ainda não foi objeto de “crash test”, mas o 500 comum tirou nota máxima para adultos e 60% para crianças, na “Euro NCAP”.
 
Coração
 
Andando tranqüilo ele é suave e nem parece venenoso como o “escorpião” que representa a marca “Abarth”. Só com o botão “Sport” acionado e pisando fundo é que o “monstrinho” 1.4, turbo, 16 válvulas, à gasolina, com 167 cavalos acorda. Mas o “ferrão” da fera está mesmo é na força, são 23 quilos de torque já a 2.500 rpm. Mais que o dobro do normal para veículos pequenos. Nas serras os carrões parecem se incomodar com a esperteza do pequenino, mas basta acelerar que eles descobrem como “Davi derrotou o gigante”.
 
Na pista
 
Já que o Peçonhento é mais rápido demais, (máxima de 213 km/h), levamos o bichinho para uma pista de competições. Realmente um exagero! Total firmeza nas curvas, aceita correção de derrapagens com facilidade, sai das curvas com muito fôlego e detona as retas. Se for pegar uma pistinha, leve um tubo de “Gelol”. Depois da farra, o pescoço vai doer!
 
Cinco marchas adequadas ao motor, engates suaves e precisos, alavanca bem posicionada, mas curso longo.
 
Consumo
 
Econômico, fez 8,4 km/l em percurso cidade/estrada meio a meio. Mas se pisar fundo isso pode cair pela metade.
 
Suspensão e freios
 
O desempenho de ambos os sistemas é genuinamente esportivo e adequado para alto desempenho. Destaque para freios à disco nas 04 rodas, mas cuidado com a carroceria mais baixa, ele raspa fácil nas rampas de garagens e quebra-molas.
 
Porta-malas
 
Minúsculo, 185 litros, (2 malas médias e 1 de bordo). Com o encosto rebatido salta para 550. E não procure pelo estepe, o Abarth tem apenas um kit de reparos que injeta selante no pneu sem retirá-lo. Mas não tente descobrir como funciona no momento do infortúnio, treine antes porque é complicado, (nove páginas no manual).
 
Mimos
 
Sonzão HiFi com Seis alto-falantes, subwoofer de tremer o quarteirão, “handsfree” que aceita comandos verbais, assistente para não voltar nas arrancadas, teto solar, direção leve nas manobras e firme na estrada, piloto automático, computador de bordo e ar condicionado digital, entre outros. Há também um mostrador que informa o desempenho do motorista, mas não diz o que está sendo feito errado e nem como melhorar.