Na Europa, a scooter sempre dominou o mercado. Em algumas regiões, ela representa 80% das vendas de motocicletas. Mas por que essa concorrência se ambos são veículos com duas rodas? Fora a subjetividade de se sentir no Velho Mundo, achar que é a imagem do executivo de sucesso, ou coisa de gente “descolada”, a scooter realmente oferece vantagens. É mais adequada para quem precisa estar bem trajado, uma vez que protege melhor do vento e dos respingos de poças, é mais fácil de montar usando roupas sociais e não tem superfícies sujas de óleo expostas. Outra vantagem é a disponibilidade de porta-malas e vários espaços para o transporte de objetos.
 
Prazer
A posição de pilotagem agradável e a agilidade conquistam. O assento é enorme, tanto para o piloto quanto para o garupa. Parece que você está em um sofá motorizado. Pena que o motor vibre bastante e tire um pouco do conforto. Apesar de não ser tão leve, com 233 kg é fácil de manobrar e conduzir.
 
Motor
Apenas 33,3 cavalos, mas acompanha o trânsito de igual para igual com os automóveis. Ele faz de 0 a 100 em 12,6 segundos e atinge máxima de 152 km/h. Movido exclusivamente a gasolina, durante o teste, em percurso misto cidade estrada, o consumo foi de 21,7 km/litro.
 
Conveniências
Super iluminação, faróis duplos clareiam como um automóvel. Leds diurnos, além de beleza, garantem que você será visto com maior facilidade. Mas o mais surpreendente é o porta-malas, onde cabem dois capacetes com sobra de espaço, além de 4 generosos porta-trecos, um deles com conexão USB para carregar o celular durante o percurso e tomada 12 volts. Obs.: O bauzinho na traseira é um acessório.
 
Catástrofe 
Mas não queira cair. Mesmo um pequeno tombo pode ser uma catástrofe. Se em uma moto convencional de baixa cilindrada, uma pequena queda pode ficar restrita a danos no para-lama dianteiro, manete e pedaleira, no caso de uma scooter o estrago pode ser muito maior, incluindo uma extensa lista de carenagens e molduras a serem reparadas.
 
Esquisito
A ciclística é totalmente diferente. Quem sempre andou em motos convencionais, ao pegar uma scooter logo declara: “Que esquisita!”. Não que seja ruim ou realmente instável. É que rodas menores e distribuição de peso diferente geram um comportamento dinâmico particular. Nas curvas, ela parece querer virar mais que você. Basta uma leve inclinação do corpo que ela já começa a tender para o lado. Mas rapidamente o piloto se acostuma e a estranheza vira maior agilidade.
 
Freios, Suspensão
Dois discos na frente, um na traseira, ABS eficiente e sistema combinado (que freia as duas rodas sempre que é acionado o freio traseiro) atuam perfeitamente e transmitem segurança. Ela tem até freio de estacionamento, que permite parar em locais inclinados. A suspensão poderia ser mais macia, mas o contato das rodas com o solo é bom.
 
Acabamento/instrumentos
Os materiais são de boa qualidade e os encaixes bem feitos, mas a estabilidade das carenagens e painéis que revestem a motocicleta não é firme. O painel de instrumentos surpreende positivamente, é mais completo que em muitos automóveis. Tem excelente visual, velocímetro, contagiros, marcador de combustível e de temperatura, e muitas outras informações.
 
Delícia
Nada de apertar embreagem ou ficar passando marchas. É só acelerar que ele sai andando. A transmissão automática CVT, ágil na variação das relações, confortável e silenciosa, dá conta do recado muito bem.
 
(*) Especial para o Hoje em Dia