Mr. Bond não podia comentar, mas seu famoso Aston Martin tinha problemas. Num “pega” em que tivesse que acelerar para valer, a aerodinâmica não contribuía muito e faltava aderência na traseira. Só uma das “Bond-Girls” podia ser alta, pois as que James acomodava no banco traseiro, ou eram baixinhas ou sofriam com a falta de espaço.

O Aston imortalizado por James Bond foi o modelo DB5, produzido de 1963 a 1965. No Salão do Automóvel de Londres, em setembro de 1965, a fábrica apresentou seu sucessor, o DB6, que corrigia os principais problemas do DB5. A traseira foi modificada e a tampa do porta-malas incorporou um aerofólio para “grudar” mais no chão em elevadas velocidades.

Para aumentar o conforto no banco traseiro, o entre-eixos ganhou 9,5 cm e o teto subiu 5 cm. Os para-choques (de lado a lado) do DB6 foram divididos em duas peças laterais. Em termos mecânicos, nenhuma diferença entre os dois modelos, ambos muito sofisticados com motor de seis cilindros em linha, 4.0, dois comandos no cabeçote, três carburadores SU e 282 hp de potência.

No painel, um dos comandos (Armstrong Seleride) regulava a rigidez dos amortecedores traseiros: o motorista optava entre quatro posições, deixando o carro mais confortável ou estável. Era um dos mais rápidos sedãs de duas portas do mundo: zero a 100 km/h em 8,5 segundos e máxima de 236 km por hora.

História

A fábrica foi criada por Robert Bamford e Lionel Martin em 1913. O nome se baseou numa competição (“subida de montanha”) da época, a Aston Hill Climb. Produzia carros esportivos e de competição mas sua situação financeira nunca foi das melhores. Quase quebrada depois da Segunda Guerra Mundial, foi vendida para David Brown em 1947. Um rico empresário inglês que fabricava tratores.

Ele manteve a marca mas passou a denominar os modelos com suas iniciais, que persistem ate hoje. O primeiro “DB” foi lançado em 1948, mas o grande processo de modernização dos modelos foi na década de 60 com os DB4,DB5 e DB6, os três com mecânica muito semelhante. O DB6 foi produzido de 1965 até 1971 e, além do sedã (cupê?), existiu também uma versão mais “brava”, a Vantage, com 320 cv. E uma conversível, chamada “Volante”. Uma delas pertence ao Príncipe Charles, presente de sua mãe em seu 21º aniversário. O carro foi adaptado para o etanol. E apareceu recentemente em todo o mundo ao levar os jovens William e Kate no dia de seu casamento.

‘Faz pelo custo?’

A Aston Martin sempre teve dificuldades financeiras e dificuldades para vender seus carros pois tinha um elevado custo de fabricação, quase artesanal. Conta-se que, uma vez, um amigo de David Brown pediu-lhe a venda de um DB6 a preço de custo. Ele concordou e mandou o carro dias depois com uma nota fiscal no valor de 1.000 libras esterlinas acima do preço de tabela... O amigo protestou e Mr Brown explicou: “Você não pediu o carro pelo preço de custo? Pois ele custa mesmo mais que o preço de venda!”

A Aston Martin é a última fábrica inglesa com produção em série. As demais foram vendidas a grandes grupos do setor, como a Rolls-Royce, Bentley, Land Rover, Mini-Cooper, Jaguar e MG.