Segunda integrante da nova categoria de picapes intermediárias, (entre as compactas como a Strada e médias como a S10), a Fiat Toro vem sendo mais emplacada que a precursora Renault Oroch, desde o seu recente lançamento em meados do mês passado. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em fevereiro foram comercializadas 1.117 unidades da picape, contra 821 da francesa. Mas é preciso reconhecer que parte deste volume se deve ao aparelhamento da rede concessionárias.

Voltando à picape em si, ela não é tão intermediária assim. Com 4,9metros de comprimento, é maior que a Chevrolet S10 cabine simples da penúltima geração, se bem que 45cm menor que o modelo atual. Outra surpresa é a capacidade de carga de 1.000 quilos, superior à de algumas médias.

Embora o logotipo italiano, a Toro está mais para Jeep que Fiat. A plataforma e grande parte da mecânica vêm do Renegade. O resultado é bom espaço para cinco adultos e uma criança, com ligeira folga para os joelhos no assento traseiro, apesar do encosto muito vertical.

No interior, onde predomina o plástico duro, ótimo acabamento e o mesmo interessante visual do jipinho. A suspensão com curso longo, molas helicoidais e “multilink” na traseira, garante conforto e estabilidade. Parece que você está em um utilitário e não em um veículo de carga. A direção hidráulica adaptativa é extremamente leve nas manobras e firme na estrada.

A versão testada Freedom diesel 4x2 com transmissão manual de seis marchas, tem engates leves e precisos como os melhores automóveis de passeio.

Mas nem tudo são flores. Mesmo que o motor diesel tenha força de sobra em médias e altas rotações, nas baixas o desempenho não agrada. Você “pisa” e não acontece praticamente nada. Esperando pacientemente o “giro” subir, o motor acorda de forma bruta após as 1.700 rpm. É necessário bastante rotação nas arrancadas para não “morrer” e, reduzir antes dos cruzamentos para sair caso venha alguém. Na estrada o problema não incomoda tanto.

Outros detalhes são: raio de giro elevado que dificulta as manobras, tampa da caçamba com abertura lateral que exige acessório para transportar motos ou objetos longos, controlador de velocidade com mensagens confusas, alavanca de seta muito sensível que comuta involuntariamente o facho dos faróis ao ser acionada e muitos itens importantes vendidos como opcionais.

O QUE É?

Picape médio-compacta, quatro portas e cinco ocupantes.

ONDE É FEITO?

Fabricada na planta da FCA em Goina (PE).

COMO ANDA?

Motor 2.0 turbodiesel e 170 cv e 36 mkgf de torque. Acelera de 0 a 100 km/h em 10,5 segundos e tem velocidade máxima de 188 km/h.

PREÇO

A Freedom diesel parte de R$ 93.900. Com rodas, capota marítima, sensores de chuva e crepuscular, câmera de ré, alarme, comandos de voz e multimídia com tela “touch”, salta para R$ 105.907.

COM QUEM CONCORRE?

O único concorrente Renault Oroch parte de R$ 64 mil, chegando a R$ 75.590 na versão mais completa, 2.0 flex 4x2 com todos os opcionais.

COMO BEBE?

8,3 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada.

SEGURANÇA

Controles de tração e estabilidade (ESP) de série. Air bags adicionais são opcionais. A Toro ainda não foi submetida à crash-test independente pelo Latin NCap ou órgãos similares.

Pontos positivos:
Conforto
Capacidade de carga
Estilo

Pontos Negativos:
Atraso turbina
Raio de giro elevado
Excesso de opcionais