E lá vai a trapizonga de Karl Benz, rodando como gente grande! Para ligar o motor, é na base do “muque”: tem que girar o imenso volante horizontal até que (em geral, depois de algumas tentativas e muito suor) começam as compassadas batidas da explosão no único e enorme cilindro. No tanquinho, apenas quatro litros de gasolina.

O carburador é imenso, maior que o tanque. Não tem radiador, só um depósito de água. Que ferve, de vez em quando. A lubrificação é manual, por dois depósitos de óleo, um para o cilindro, outro para as válvulas. As engrenagens? Bote graxa que elas giram silenciosas.

Suspensão, só na traseira: dois feixes de molas exatamente como nas carroças. A transmissão é por duas correntes, uma em cada roda. A simplicidade do projeto resultou numa única roda dianteira, para evitar o complicado sistema de direção.

Cade o brake?

Freio? Nada mais, nada menos do que uma tira de couro que pressiona um tamborzinho conectado à transmissão. Não chega a ser exatamente um freio como conhecemos hoje, mas um “atenuador de velocidade” e estamos conversados. Até porque o desempenho do triciclo não exige muito mais do que isso...

Na direção

Dirigi-lo é uma sensação única. O acelerador é uma rodinha abaixo do banco e só se regula uma vez. A única alavanca (à esquerda), quando empurrada para frente, engata a primeira e única marcha, acionada por uma cinta. Puxou-a para trás?  É o freio, ou coisa que o valha.

Empurre a alavanca e ele sai suavemente, sem trancos, graças ao sistema de cintas que tracionam as correntes. Mas tem que mantê-la firme para frente, porque, ao soltá-la, o carro fica em ponto-morto. (Hummm... me faz lembrar um sistema de marchas adotado por um fabricante norte-americano que revolucionou o mundo com um tal de Ford Modelo T...).

Nas subidas mais fortes, ele reclama. Melhor aliviar o peso e insinuar ao passageiro que desça do carro. Mais forte ainda? Já que o carona desceu, peça para dar uma mãozinha ao Motorwagen...

Gênio

A primeira unidade construída por Benz tinha menos de 1 cv. Essa daí tem muito mais potência: quase 2 cv! O que leva o triciclo a incríveis 16 km por hora. De tão simples, não tem o que quebrar. O motor tem 954 cm³, ou seja, mesma cilindrada que os nossos “populares” de 1.0 litro.

Os pneus não tem câmara, são maciços. O gênio do Benz, além de projetar e construir o carro, bolou também alguns equipamentos que ele precisava e não existiam na época: bateria, vela, bobina...

O único Benz Patent-Motorwagen existente no Brasil pertence a um colecionador de Belo Horizonte. Duas pequenas séries do triciclo foram reeditadas pela própria Mercedes-Benz, rigorosamente de acordo com o projeto de Benz. Ambas esgotadas e adquiridas por colecionadores, museus, escolas e concessionárias.

Benz e a Mercedes

Karl Benz e Gottlieb Daimler (que nunca se conheceram pessoalmente) produziram, no final do século 19, automóveis batizados com seus sobrenomes. Mas Daimler, a pedido de Emil Jellinek (seu representante em Nice, na França), forneceu séries especiais para competição com a marca Mercedes, que era a pequena filha de Emil. Como ganhou quase todas as corridas, o nome da menina ficou mais famoso que o da fábrica e os carros da Daimler passaram a se chamar Mercedes. Quando as duas fábricas se uniram, em 1926, a empresa virou Daimler-Benz. E os automóveis, Mercedes-Benz.