Por apresentar problemas no cabeçote do motor, as vendas do minibus Fiat Ducato estão suspensas no estado de Minas Gerais. A medida cautelar foi instaurada pelo Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor, Procon-MG, do Ministério Público de Minas Gerais.

A decisão do promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, Amauri Artimos da Matta, se baseia em evidências de que o veículo apresenta vício de qualidade. Desde o ano passado o MPMG investiga o caso.

Para o promotor Amauri Artimos três foram as principais razões que motivaram a decisão do Procon-MG. O primeiro motivo está no fato do Ducato ter sido posto no mercado com problemas que ocasionavam na rachadura do cabeçote do motor à medida que o veículo é usado.

Uma segunda motivação foi o não atendimento de diversas demandas de clientes pela substituição da peça defeituosa. Por fim, o promotor também considerou abusivo que a montadora não informe o consumidor sobre o possível problema ou mesmo o oriente a avaliar o caso em visita às concessionárias.

As vendas permanecerão suspensas até que a Fiat publique um plano de ação para divulgar os problemas apresentados no Ducato, incluindo a garantia de troca da peça caso o defeito seja constatado.

A rachadura do cabeçote do motor da Fiat Ducato é velha conhecida de seus proprietários. No Reclame Aqui, por exemplo, há diversos depoimentos que dão conta do problema. “Comprei uma Ducato - Fiat, ano 2011/13, que portanto tem 2 anos de uso. Começamos a observar que estava baixando água no
reservatório e que o carro perdia potência e em seguida a luz da injeção eletrônica ascende.

Consultamos vários mecânicos de confiança, e segundo todos os eles, a possibilidade é que o cabeçote pode estar trincado, e que estão recebendo vários carros do mesmo modelo ano e modelo com o mesmo problema. Enviei então um email à Fiat, para saber a sua posição. Deixei o carro para análise, por três dias. E segundo o atendente da oficina, eu estava mentindo, e o carro não estava baixando água”, relata um usuário.

Investigado há mais de um ano, o MPMG já havia proposto um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), rejeitado pela montadora. Apesar disso, o promotor Amauri Artimos acredita em uma solução amigável. Para tanto, foi marcada uma nova audiência conciliatória para fevereiro de 2016.

Enquanto o imbróglio não é resolvido formalmente, o Procon-MG orienta que os proprietários do modelo que detectarem problemas no cabeçote do motor levem o minibus até uma concessionária Fiat, solicite a inspeção e, se constatada a falta de estanqueidade da peça, exija sua substituição.

O problema pode ser evidenciado por sintomas como a perda de água do radiador, fumaça branca no cano de descarga, tampa do óleo do motor “esbranquiçada”, dificuldade ou impossibilidade de ligar o veículo ou o superaquecimento do motor.

A Fiat, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que tem conhecimento da decisão e está analisando o conteúdo para verificar as medidas cabíveis.

*Colaborou Alex Bessas