O sujeito compra um carro mais sofisticado, um BMW, uma Mercedes, um Mini, um Jaguar, e quando chega em casa e vai dar uma olhada mais minuciosa no carro, fica meio perdido ao abrir o porta-malas: “Ué, cadê o estepe que estava aqui?”. Pois bem meu amigo, fique tranquilo que ninguém furtou seu pneu reserva. Ele foi engolido, ou melhor aposentado pela tecnologia run flat presente nos pneus que vieram equipando seu carro e que possibilita que eles continuem rodando mesmo quando estiverem murchos.

Esse papo de acabar com o estepe não é novo. Ele começou lá em 1947, com o Mini 1275 GT. E a tecnologia, que já é bastante comum na Europa Ocidental e que vem ganhando espaço no Brasil, vem evoluindo sob vários argumentos: aumentar o espaço no porta-malas, poder continuar rodando com o pneu furado, possibilitar um melhor controle do veículo ao motorista em caso de perda de pressão, facilitar o trabalho dos designers ao traçar as linhas da traseira, entre outros.

SEM FURADA

Das vantagens do runflat, talvez a que mereça mais destaque seja a de poder continuar rodando com o carro mesmo quando o pneu perde pressão. Imagine uma situação que é fácil de acontecer no Brasil, principalmente nos grandes centros urbanos: o motorista roda à noite com a família num carro que, por ser mais sofisticado e caro, já chama a atenção, e de repente o pneu fura justamente naquele local onde o número de assaltos é altíssimo. Na certa, ao parar para trocar o pneu o motorista e a família serão alvos fáceis dos bandidos.

COMO FUNCIONA?

O run flat consegue rodar quando perde pressão porque tem costados mais fortes, por meio da colocação de reforços nas laterais. Eles possibilitam suportar a carga do veículo mesmo sem pressão. Outro ponto importante é que os runs flats são feitos com compostos especiais, capazes de manter a baixa temperatura enquanto eles
rodam furados, pois um dos grandes problemas dos pneus que rodam murchos é o
superaquecimento.

É RUN FLAT OU NÃO?
Esse tipo de pneu traz uma identificação na lateral. Por exemplo, a Pirelli usa a sigla RF, mas outras, como a Bridgestone, usam RFT. Há outras que usam RSC.

Pneus têm restrição de velocidade e quilometragem

A maioria dos fabricantes de run flat recomenda que o motorista não rode mais do que 80 quilômetros com o pneu furado e não ultrapasse a velocidade de 80km/h. O alerta pode ser diferente daquele feito por alguns fabricantes de veículos, que preveem uma distância maior (alguns citam 120 quilômetros), embora mantenham o limite de 80km/h.

REPARO

Mas todos são quase unânimes em não aconselhar o reparo. E quem recomenda ressalta que o conserto só pode ser feito uma única vez e desde que o furo tenha até 6mm de diâmetro e seja na banda de rodagem. Não pode ser no flanco (na lateral). E o reparo só pode ser feito nas revendas (da empresa que produz o pneu), concessionárias ou oficinas especializadas, já que é necessário um equipamento especial para montagem e desmontagem.
 
Já pensou ter um run flat furado na estrada, num domingo à tarde, a 300 quilômetros de uma grande cidade e somente a borracharia da esquina aberta… Os fabricantes juram de pés juntos que esses pneus têm a mesma durabilidade que um normal, com a mesma medida, mas muitos donos de veículos com run flat reclamam que a durabilidade é menor. Outro problema é que o run flat custa 60% a mais em média (os preços variam de cerca de R$ 500 a R$ 2.000, dependendo do modelo) e não é um produto fácil de encontrar. Fizemos uma pequena pesquisa e algumas revendas e sites pediram até uma semana para entregar um pneu para um BMW Série 1 (um modelo que não é tão raro assim).

Como o run flat não exige um tipo de roda especial, muita gente acha que pode usá-lo. Mas, para usar esse tipo de pneu, o veículo tem que ser equipado com sistema de controle de pressão de pneus ou outro dispositivo que possa identificar um possível furo. Se o motorista não detectar essa perda de pressão e rodar com o veículo em alta velocidade pode sofrer um grave acidente.

O QUE DIZ A LEI?

O desconhecimento de alguns agentes de trânsito pode provocar alguma confusão devido à falta do estepe, macaco e chave de roda. Mas o uso desse pneu é respaldado pela Resolução 14/98 do Contran (a alínea a do inciso V, artigo 2º da resolução esclarece que veículos com pneus que trafegam sem ar são dispensados de ter os três itens exigidos), que é complementada pela Resolução 259/2007, do Contran.