Carro americano sempre foi muito bom de reta e uma tragédia nas curvas, muito por culpa dos motores pesadões e da suspensão molenga. Tanto que, até meados da década de 1960, era impensável competir em pé de igualdade com os esportivos europeus em circuitos mistos, até que o texano Carrol Shelby (que já tinha colocado um imenso V8 big block num pacato AC Cobra britânico) resolveu aplicar uma carroceria aerodinâmica no seu roadster e criou o Shelby Cobra Daytona, em 1965, para desbancar as Ferraris do comendador no Mundial de Turismo (FIA GT).

Depois de cravar os dentes nos cavallinos de Enzo, o Daytona, que teve apenas seis unidades construídas para uso nas pistas, atingiu a imortalidade, a ponto de a marca ainda oferecer o bólido e lançar uma edição comemorativa batizada de “50th Anniversary”, com apenas 50 unidades.

Para levar para casa uma das unidades do Daytona, a Shelby o vende sem motor, apenas carroceria, chassi, suspensão e paupérrimo acabamento interno, pois para poder oferecer o carro “completo” seria necessário submetê-lo a testes de colisão e de emissões, dentre outras exigência nas quais o Daytona fatalmente iria tomar bomba e não poderia ser homologado para comercialização.

No entanto, a marca também comercializa uma versão preparada do V8 “289” de 4,7 litros e instala para o cliente após a aquisição do cupê. Além disso, é preciso se decidir se leva para a casa a opção com carroceria de fibra de vidro ou alumínio. A primeira parte de US$ 180 mil, algo em torno de R$ 576 mil. Já a opção em alumínio, que dá mais trabalho para fazer, não sai por menos de US$ 350 mil, ou R$ 1.120.000.