A busca pelo reconhecimento internacional de Zona Livre de Peste Suína Clássica (PSC) tem movimentado a cadeia produtiva em Minas. Dentre as entidades que trabalham para reforçar as barreiras sanitárias do Estado está a Associação dos Suinocultores de Minas Gerais (Asemg), que congrega cerca de 150 associados nos quatro polos suinícolas do Estado: Pará de Minas (47%), Ponte Nova (22%), Triângulo e Alto Paranaíba (18%) e outros (15%). Na presidência desde 2013 está o suinocultor e médico oncologista Antônio Ferraz de Oliveira, criador de 300 matrizes em Brumadinho. Antônio Ferraz conversou com Força do Campo sobre o bom momento da suinocultura e a variação de preços da carne de porco no mercado.


Qual é o cenário da suinocultura em Minas?


Os dados são de 2013, já que os de 2014 ainda estão sendo analisados e serão divulgados em agosto. A suinocultura mineira conta com 1.200 produtores e cerca de 270 mil matrizes, que correspondem a um rebanho efetivo de mais de cinco milhões de animais, o que representa 12,8% do plantel nacional. Minas é o 4º maior Estado produtor, o que representa cerca de 440 mil toneladas de carne suína, sendo que 26 mil toneladas são exportadas e o restante destinado ao mercado interno. Neste último, somos um Estado que se diferencia dos demais, chegando ao consumo de 22 kg per capita frente a 15,5 kg/hab/ano, que representa a média nacional de consumo. Mesmo sendo o Estado onde mais se consome carne suína no país, registramos ainda números extremamente tímidos frente ao consumo de países europeus, como Dinamarca, França, dentre outros, que consomem cerca de 60 kg por habitante/ano.


Que avaliação você faz do mercado após o lançamento do Mercominas?


O Mercominas é um departamento de inteligência de mercado que monitora semanalmente os preços da ½ carcaça suína em BH, no varejo e atacado, e os principais cortes de suínos e bovinos. A coleta de informações é realizada com varejistas, frigoríficos e suinocultores de todo o Estado. Os resultados obtidos desde dezembro do ano passado demonstram a eficiência no monitoramento dos preços. Em 2015, o preço do quilo do suíno vivo caiu 19,3%, enquanto o preço da ½ carcaça reduziu 19,1%, demonstrando equilíbrio nos valores praticados entre os produtores e os matadouros/frigoríficos. No entanto, o varejo repassou apenas parte desta redução ao consumidor final. Até a semana passada, o preço médio do quilo da carne suína reduziu somente 9,4% ao consumidor final, enquanto o preço médio dos cortes bovinos reduziu 1,9%.


Qual a expectativa de mercado?


O grande desafio da suinocultura mineira é produzir com qualidade, respeitando as normas ambientais, e conseguir uma boa rentabilidade mesmo frente a diversos gargalos em que já estamos atuando, como a questão da pesagem das cargas de animais para o abate, a criação de um fundo sanitário estadual e o incremento no consumo em parceria com a ABCS. Minas é a sede das maiores genéticas do país e a qualidade delas reflete a qualidade da carne suína mineira.


O que tem sido feito para buscar o reconhecimento internacional de Zona Livre de Peste Suína Clássica?


Em parceria com IMA e Mapa estão sendo reforçadas as barreira sanitárias do Estado, além do forte trabalho para a criação de um Fundo Sanitário. Esse fundo é um dos pontos necessários para o reconhecimento e que, juntamente ao prazo, tem sido uma das grandes dificuldades enfrentadas pela entidade para o reconhecimento internacional do Estado como Zona Livre de PSC.


“A expectativa é a de que os avanços conseguidos pelas conceituadas genéticas tornem o plantel mineiro ainda mais robusto e competitivo”