A última pesquisa da Comissão Nacional do Cavalo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que o Complexo do Agronegócio Cavalo gera faturamento anual de R$ 7,5 bilhões, registrando 642,5 mil empregos diretos e 2,6 milhões de empregos indiretos. A Lei nº 12.975/2014 sancionada pela presidente Dilma Rousseff declarou o mangalarga marchador a raça nacional de cavalos do Brasil. Com origem em Minas Gerais, o marchador conquistou o país e conta hoje com quase 11 mil associados distribuídos por todas as regiões. A Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) tem 480 mil animais registrados. Para saber mais sobre a raça e a 34ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador - 15 a 25 de julho, no Parque da Gameleira, em BH -, Força do Campo conversou com o presidente da associação, Magdi Abdel Raouf Shaat, proprietário do Haras El Far, em Lavras (MG).

Como se situa hoje o agronegócio cavalo no Brasil? E em Minas Gerais?
O Brasil possui o maior rebanho de equinos na América Latina e é o terceiro mundial, de acordo com o com o Ministério da Agricultura. Somados aos muares e asininos são 8 milhões de cabeças. O maior rebanho estadual encontra-se em Minas Gerais, cerca de 860 mil cabeças, dados de 2006.

Os leilões são um grande negócio?
Em 2014, as vendas de animais em leilões presenciais, virtuais, online e entre fazendas foram superiores a R$ 354 milhões, sendo R$ 62,4 milhões arrecadados apenas com os mais de três mil animais vendidos nos leilões da ABCCMM. Percebo hoje que a liquidez continua do mesmo jeito, talvez, a referência de valor tenha mudado um pouco, mas continuamos com uma média de sete leilões por semana. Este ano, as inscrições da Nacional ficaram no mesmo número do ano passado. Estou apostando que vamos continuar caminhando bem.

É um mercado em crescimento?
Só não conseguimos crescer mundo afora porque temos restrições sanitárias no Brasil. Uma doença chamada Mormo se espalhou pelo país e acabou fechando as portas dos mercados europeu e americano. Ela estava restrita ao Nordeste, mas espalhou-se por São Paulo, Rio e Minas. Os governos estadual e federal não estão sabendo controlar essa situação, já que precisam de recursos financeiros. Grande parte das pessoas acredita que cavalo é criação de rico, mas não é. Geramos mais empregos do que a indústria automobilística.

Qual o conselho para quem quer começar a investir na raça?
Tecnicamente, para iniciar uma criação é necessário ter uma propriedade com solo de qualidade, terra adubada e corrigida para produzir forrageiras de qualidade. Aconselhável só depois iniciar a aquisição dos primeiros exemplares. Também é fundamental maiores conhecimentos sobre a raça. Se a pessoa não tem raízes rurais, não sabe nada de cavalos, a ABCCMM disponibiliza cursos para novos criadores por meio do projeto “Mangalarga Marchador para Todos”.

A Nacional, no Parque da Gameleira, é o mais importante evento da raça?
A Nacional, organizada pela ABCCMM, é um dos eventos de equinocultura mais importantes da América Latina. Este ano a exposição reunirá 1.500 animais de várias partes do Brasil, que vão participar de concursos de marcha, julgamentos, provas funcionais e sociais. Haverá animais de MG, RJ, BA, SP, DF, PE, ES, GO, PR, SC, AL, CE, RS, RN, SE e PA. A exposição é importante porque reúne a nata dos melhores animais da raça do ponto de vista zootécnico e de andamento marchado do país.

Quais serão os destaques do evento deste ano?
Além dos trabalhos de julgamento, ocorrerão dois leilões de elite que serão realizados nos dias 23 e 24 de julho. Estão previstos ainda dois shoppings de animais, onde os interessados poderão vistoriar os animais e negociar a sua compra , dois remates on-line e o leilão filantrópico “Marchadores pela Vida”, dia 17 de julho. Haverá muitas outras atrações, entre elas a minifazenda, test ride (montaria), além da tradicional “Alameda dos Núcleos”, local de confraternização, com shows musicais.