O mercado vem dando sinais de que o consumidor tem buscado por mais produtos saudáveis. Agora, uma pesquisa da Associação Mineira de Supermercados (Amis), em parceria com o Instituto Gênese, sobre hábitos de consumo em supermercados da capital mineira, confirma que os números são expressivos sobre a preferência por produtos orgânicos. Mas o problema ainda está na comercialização dos produtos frescos e sem agrotóxicos.

“A procura por produtos mais saudáveis, naturais e com características especiais é uma tendência mundial, que vem chegando como ondas. Quanto mais produção e mais consumo, menores serão os preços”, disse o superintendente da Amis, Adilson Rodrigues.

Sobre um número maior de produtores rurais participando da Superminas 2015, o superintendente disse estar feliz com o apoio que eles vêm recebendo do governo para ajudá-los na comercialização. “O produtor rural não tem dificuldades para conseguir financiamentos subsidiados, nem apoio das entidades responsáveis. O grande problema é que eles não têm nada, não têm marketing, o que poderia fazer com que vendessem mais”.

Adilson Rodrigues disse reconhecer que os produtores rurais querem ter mais oportunidades e que os supermercados querem valorizar a produção local, fazendo com que sejam gerados mais emprego e renda, mas criticou: “Os produtores rurais não têm cooperativas, não têm padronização, não estão organizados ou preparados.

É mais fácil eu enviar um e-mail a um pequeno produtor de atum no Chile e receber um container gelado, com tudo padronizado, em embalagens bonitas, do que eu tentar comprar de um produtor a cerca de 200 km de Belo Horizonte”, por exemplo.

A pesquisa revelou que 41,2% dos entrevistados preferem os produtos orgânicos. Os motivos para a compra desses itens são porque são considerados mais saudáveis (49,7%); não têm agrotóxicos (26%); são mais saborosos (8,5%); evitam problemas de saúde (6,4%); o cultivo respeita a natureza (6,1%) ou outros (3,2%).

Já os preços são um dos fatores que pesam contra na hora de comprar orgânicos. Eles aparecem em segundo lugar, com (34,4%), após os que consideram que os convencionais são satisfatórios (37,4%) e antes dos que alegam não comprar pela falta dos orgânicos nos supermercados (19%).

Com relação aos produtos utilizarem as práticas corretas da sustentabilidade, 60,7% disse nunca ter deixado de comprar algum item pelo fato de ele prejudicar o meio ambiente, questão que mostrou ser preocupação do restante dos entrevistados: 39,3%.

Outro ponto relevante da pesquisa foi sobre o número de pessoas que se preocupam com a aquisição de produtos sem glúten e sem lactose: 30,9% revelaram preferência por esses itens.

A pesquisa mostrou ao consumidor 18 seções de um supermercado e perguntou a ele qual delas o atraía ao estabelecimento. Mercearia foi a mais apontada, com 49%, vindo em seguida açougue/peixaria com 12,8% e frutas e verduras em terceiro, 6,5%. Produtos diet, light e sem glúten ficaram com 1,6%, enquanto produtos orgânicos, 0,5%.

“A procura por produtos saudáveis e orgânicos é uma tendência que veio para ficar”