A procura por cafés especiais vem ocupando um espaço cada vez maior entre os consumidores, por essa bebida oferecer mais aroma e sabor. Esse mercado vem crescendo, ano a ano, em todo o mundo, com abertura de novas cafeterias, principalmente, na Europa e Estados Unidos, apresentando tendência a aumentar ainda mais na próxima década. Acompanhando a demanda de um consumidor mais exigente, os produtores investem para garantir mais valor agregado ao produto, uma vez que os cafés tradicionais, comercializados como commodity, continuam em queda.


A produção de cafés especiais no Brasil cresce entre 10% a 15% a cada ano. Em 2015, das cerca de 50 milhões de sacas – o estado de Minas Gerais responde por 50% desse volume -, 8% serão de cafés especiais, ou seja, 4 milhões de sacas. De acordo com a Brazil Specialty Coffee Association (BSCA) - que não possui estimativas da produção regional de cafés especiais -, da produção atual, cerca de 3 milhões de sacas serão exportadas para os Estados Unidos, Japão e Europa. O restante, 1 milhão de sacas,será para consumo no país. O valor de venda atual para alguns cafés diferenciados tem um sobrepreço que varia entre 30% e 40% a mais em relação ao café cultivado de modo convencional. Em alguns casos, pode ultrapassar a barreira dos 100%. Para diferenciação dos cafés especiais, deve-se ter como base atributos físicos e sensoriais, como a qualidade da bebida, que precisa ser superior ao padrão.


A diretora executiva da associação, Vanúsia Nogueira, acredita que “os médios produtores, juntamente com os pequenos, estão liderando este movimento de reforço do nicho no País”. Pelas estimativas, os pequenos produtores – de 50 a 1 mil sacas/ano – estão localizados nas regiões sul e da mata mineira; Piatã, na Bahia; e nas montanhas do Espírito Santo. Os médios produtores - de 3 mil a 50 mil sacas/ano – onde estão os maiores produtores de cafés especiais – estão na região de Mogiana, no interior de São Paulo; e no Cerrado de Minas Gerais. Já os grandes - 80 mil a 100 mil sacas/ano – estão localizados em Minas Gerais e investem até 60% da produção para garantir cafés de maior qualidade.


Na Europa


O segmento de cafés especiais representa, hoje, cerca de 12% do mercado internacional da bebida. Prova do crescimento desse mercado foram os negócios recentes realizados lá fora. Sob a bandeira de um novo posicionamento de branding a BSCA e a Apex-Brasil conduziram as ações da delegação brasileira na SCAE World of Coffee 2015, na Suécia.’


Você sabe o que são os cafés especiais?


Cafés Especiais são aqueles obtidos com grãos de qualidade superior, sem a presença de defeitos capitais, como o preto, o verde, o ardido e o preto-verde, com uma bebida limpa, sem qualquer fermentação indesejável, com bom aroma e sabor, deixando um retro gosto agradável na boca por um longo período.


Para reconhecermos a qualidade de um café devemos bebê-lo puro, sem qualquer aditivo como açúcar, adoçante, creme, leite e outros ingredientes.


“Para produzir um café especial, o cafeicultor precisa estar atento a muitos cuidados, desde a colheita, o preparo, o armazenamento, o beneficiamento e o transporte”, como explicou ao “Força do Campo” o engenheiro agrônomo e consultor científico da Illycaffè no Brasil, Aldir Alves Teixeira.


Segundo ele, por outro lado, as empresas de torrefação precisam preservar a qualidade, torrando e embalando adequadamente o produto até que ele chegue à xícara do consumidor.


Aldir explica que no preparo de um café Espresso – com extração mais rápida, alta pressão e temperatura – as características de sabor e aroma da bebida são ressaltadas.


Essa técnica oferece, ao mesmo tempo, menos cafeína.


“Assim, se os grãos forem de boa qualidade, o espresso é excelente. Caso contrário, ele fica horrível.”


Apesar dos cuidados exigidos do cafeicultor, esse segmento do mercado é extremamente recompensado, porque recebe remuneração em patamares superiores aos praticados para os cafés comuns.


“O desconhecimento, ou mesmo a falta de cuidado, faz com que o cafeicultor ‘tropece’ em algumas das etapas fundamentais de preparo: na colheita, muitas vezes iniciada antes do prazo ideal; na secagem, um dos pontos mais críticos do processo de preparo, na umidade final e no armazenamento mal feito.


Esses aspectos podem significar a diferença entre um café especial e um café commodity, com muitos defeitos, manchados, desmerecidos, sabores indesejáveis e preços inferiores”, ressaltou.


Ricardo Tavares tem confiança no mercado e inicia duas novas operações


Em busca de um café de melhor qualidade e com maior rentabilidade, a holding Montesanto – 10 empresas e faturamento previsto de R$ 1,6 bilhão em 2015, crescimento de 40% em relação ao ano passado – decidiu consorciar a produção de cafés com o mogno africano.


Para isso, o empresário e empreendedor Ricardo Tavares, que sempre investiu em café, atuando na produção, exportação, importação, transporte e armazenagem, criou a marca Mahogany Coffee, que identifica esse plantio diferenciado.


“Produzimos um café arábica especial, sombreado pelo mogno africano, o que atenua as variações de temperatura sofridas pelo café em seu processo de maturação. Isso resulta em um café mais adocicado e homogêneo em sua qualidade, e com ótimo sabor”, afirmou o presidente da holding, Ricardo Tavares.


O grupo conta com o plantio de 3.200 ha de café, distribuídos entre as cidades mineiras de Pirapora, Angelândia, Ninheira (MG) e Luis Eduardo Magalhaes (BA).


“Temos uma colheita prevista de 40 sacas de média anual por ha, totalizando 128 mil sacas/ano. Desse volume, 3.500 sacas são de cafés sombreado com mogno, sendo que, desse total, 80% são destinados à exportação para Estados Unidos, Europa e Ásia”, revelou.


Para Ricardo Tavares, os cafés especiais têm ganhado força, uma vez que o consumidor tem procurado mais por cafés diferenciados, sendo esses “o mercado que mais cresce no mundo”.


A Atlântica Coffee é a maior empresa do grupo, com sede em Belo Horizonte, e com exportação e comercialização previstas de 1,5 milhões de sacas em 2015.


Além das empresas da holding focadas em cafés especiais – Cafebrás (Patrocínio - MG) e Ally Brazilian Coffee Merchants (Miami - EUA), sendo que essa começará a operar a partir de outubro também na Suíça - o empresário deu início, em junho, a uma nova operação voltada para esse segmento: a InterBrasil Coffee.


A empresa, com sede em Manhuaçu (MG), é focada nos cafés produzidos na Zona da Mata mineira e com exportação voltada para os mercados dos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio.


Ponto a ponto


Principais categorias de cafés especiais


Café de origem certificada - Relacionado às regiões de origem dos plantios;


Café gourmet - Grãos de café arábica com peneira maior que 16 e de alta qualidade. É produto diferenciado, quase isento de defeitos;


Café orgânico – Cultivado com fertilizantes orgânicos e o controle de pragas e doenças deve ser feito biologicamente;


Café fair trade - É consumido em países desenvolvidos por consumidores preocupados com as condições socioambientais sob as quais o café é cultivado. Nesse caso, o consumidor paga mais pelo café produzido por pequenos agricultores ou sistemas de produção sombreados, onde a cultura é associada à floresta. É muito empregado na produção de cafés especiais, pois favorece a manutenção de espécies vegetais e animais nativos.


“Em outubro já estaremos operando na Suíça com a importação de cafés especiais, considerados aqueles acima de 80 pontos na tabela de classificação” Ricardo Tavares, Presidente da holding Montesanto

“Os valores de negócios fechados e a concretizar demonstram que os europeus sempre primaram pela qualidade da bebida e sabem que o Brasil, a nação do café, possui o que desejam para suprir essa busca pela excelência” Vanúsia Nogueira, Diretora executiva da Brazil Specialty Coffee Association (BSCA)